Ruanda abre inquérito a responsáveis franceses no genocídio de 1994

O Ruanda abriu hoje um inquérito formal a 20 responsáveis franceses suspeitos de envolvimento no genocídio que fez 800.000 mortos, anunciou o procurador-geral ruandês.

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Mundo Justiça

"O inquérito, por agora, centra-se em 20 indivíduos que, de acordo com a informação até agora recolhida, são intimados pela procuradoria-geral a explicar ou esclarecer acusações contra eles", precisou o procurador-geral, Richard Muhumuza, em comunicado.

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Isso permitirá ao Ministério Público decidir "se os indivíduos em causa deverão ou não ser formalmente acusados".

Segundo Muhumuza, as autoridades francesas relevantes foram contactadas e espera-se total cooperação.

Esta investigação causará provavelmente uma deterioração das relações entre os dois países, que têm sofrido alguns solavancos nos últimos 22 anos, devido ao alegado papel da França no genocídio da etnia tutsi, às mãos dos extremistas hutus.

A disputa centra-se no papel desempenhado pela França antes do genocídio, enquanto aliado próximo do regime nacionalista hutu de Juvenal Habyarimana.

O abatimento do seu avião sobre Kigali, a 06 de abril de 1994, foi o acontecimento que desencadeou 100 dias de carnificina meticulosamente planeada.

A França é acusada de não ter visto ou ter ignorado os sinais de alarme e de ter treinado soldados e milícias que levaram a cabo massacres.

Quando o genocídio estava em curso, a França foi acusada de usar a sua influência diplomática para impedir uma ação efetiva e, quando finalmente enviou tropas para o Ruanda -- na Operação Turquesa -, acusaram-na de só o ter feito para deter o avanço dos rebeldes tutsi de Kagame e permitir aos autores do genocídio fugir para o vizinho Zaire, atual República Democrática do Congo.

Contudo, a França sustenta que o destacamento das suas tropas fez cessar as matanças e salvou milhares de vidas.

Os responsáveis franceses insistem em que qualquer culpa por terem fracassado em impedir o genocídio é partilhada por toda a comunidade internacional e, por sua vez, acusam Kagame de só ter levantado a questão para desviar a atenção do que se diz ser o seu próprio historial negativo de defesa dos direitos humanos.

 

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