Os líderes presentes e ausentes nas cerimónias em Havana

Apesar do peso histórico de Fidel Castro, que morreu na noite de sexta-feira, a cerimónia fúnebre de homenagem ao líder cubano prevista para hoje em Havana será marcada pela ausência de vários chefes de Estado e de Governo.

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Mundo Fidel Castro

Apenas cerca de 20 líderes internacionais irão marcar presença na cerimónia agendada para as 19:00 hora local (meia-noite em Lisboa) na Praça da Revolução, em pleno centro da capital cubana.

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O ministro adjunto Eduardo Cabrita irá representar o Estado português na cerimónia fúnebre de homenagem. Também em Havana estará Albano Nunes, membro do secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português (PCP) e responsável pelas Relações Internacionais no partido.

Esta cerimónia insere-se num amplo programa definido pelo Conselho de Estado cubano que prevê várias homenagens ao líder histórico e que irá culminar com as cerimónias fúnebres em Santiago de Cuba, no sul do país, no domingo (dia 04 de dezembro) que serão acompanhadas por um grupo de convidados muito restrito.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, que iniciou o processo histórico de reaproximação com Cuba, anunciou que não irá comparecer à cerimónia de homenagem e será a ausência mais notada.

Criticado pelas palavras que proferiu sobre o antigo Presidente cubano, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, estará também ausente da cerimónia de homenagem, apesar da profunda amizade que ligava o seu pai, Pierre Elliott Trudeau, ao "El Comandante" Fidel Castro.

O chefe de Estado francês, François Hollande, será representado pelo número três do governo, a ministra do Ambiente Ségolène Royal, e por Jean-Pierre Bel, o seu enviado para a América Latina e antigo presidente do Senado.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, também não estará em Havana, anunciou o seu gabinete de Downing Street, sem precisar quem irá representar o governo britânico.

A Presidente do Chile, a socialista Michelle Bachelet, será representada por um dos seus ministros.

A China e o Irão, considerados países amigos de Cuba, também não vão enviar os respetivos líderes, mas sim os vice-presidentes.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, também será um dos ausentes.

A esquerda latino-americana, que recebeu inspiração da Revolução Cubana, estará amplamente representada pelos Presidentes do Equador, Rafael Correa, da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Nicolas Maduro, e da Nicarágua, Daniel Ortega.

Entre os outros Presidentes do continente americano aguardados hoje em Havana está o colombiano Juan Manuel Santos, o mexicano Enrique Peña Nieto, o hondurenho Juan Orlando Hernandez Alvarado e o panamense Juan Carlos Varela, segundo uma lista oficial.

Os governantes do Zimbabué, Robert Mugabe, do Quénia, Uhuru Kenyatta, da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, da África do Sul, Jacob Zuma, e da Namíbia, Hage Geingob, vão marcar igualmente presença na cerimónia.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, é o único chefe de Governo europeu que consta da lista de presenças oficial.

O antigo chanceler alemão Gerhard Schröder, que se reuniu com Fidel Castro em cinco ocasiões, irá representar a chanceler alemã Angela Merkel em Havana, anunciou o governo de Berlim.

O antigo rei de Espanha Juan Carlos irá representar o seu filho, o rei Filipe VI, que está a realizar uma visita de Estado a Portugal. O ex-Presidente do Uruguai Jose Mujica figura igualmente entre os presentes.

O antigo Presidente de Moçambique Armando Guebuza também confirmou a presença.

O histórico líder cubano, Fidel Castro, morreu na noite de sexta-feira, 25 de novembro, aos 90 anos.

Cuba decretou nove dias de luto nacional pelo óbito de Fidel Castro.

Através de um breve comunicado, o Conselho de Estado cubano decretou "nove dias de luto nacional", até ao dia 04 de dezembro, domingo", acrescentando que "todas as atividades e espetáculos públicos" serão interrompidos.

Durante esta semana vão realizar-se diversas homenagens em Cuba e uma procissão com as cinzas do ex-presidente cubano vai atravessar o país ao longo de quatro dias.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu a 13 de agosto de 1926, em Birán, uma pequena localidade do município cubano de Mayari, no seio de uma família de origens galegas.

Após um longo e conturbado período como opositor do regime de Fulgêncio Batista (um então aliado dos Estados Unidos), o guerrilheiro Fidel Castro, que frequentou Direito na Universidade de Havana, e o seu companheiro de luta Che Guevara chegavam a 01 de janeiro de 1959 a Havana e a Revolução Cubana fazia a sua entrada na História.

Fidel Castro assumiu o poder na ilha durante 47 anos e tornou-se numa das figuras mais carismáticas, mas também das mais controversas, da História política do século XX.

 

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