EUA admitem erros em ataque na Síria que matou 90 soldados do regime

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos admitiu hoje que o ataque aéreo que matou 90 soldados do regime sírio em 17 de setembro perto de Deir Ezzor (leste), foi decidido e concretizado com base em informações erradas.

© Reuters
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Houve "erros no tratamento de informações" que levaram a uma "identificação errada de alvos" e "oportunidades não aproveitadas por membros da coligação para reconhecer e manifestar evidências contrárias às decisões tomadas", afirmou o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas num comunicado, citando as conclusões de um inquérito.

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Caças F-16 e F-18, aviões de ataque ao solo A-10 e aviões não tripulados ('drones') australianos, britânicos, dinamarqueses e norte-americanos participaram no ataque que, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, matou pelo menos 90 militares das forças do regime de Bashar al-Assad.

O Pentágono (designação habitual do Departamento da Defesa) afirmou que só contabilizou conclusivamente 15 mortos, mas admitiu que o balanço de vítimas do ataque tenha sido muito mais alto.

"Neste incidente cometemos um erro involuntário e lamentável baseado em fatores humanos", disse à imprensa o brigadeiro-general Richard Coe, que investigou o caso.

A sucessão de erros começou com um engano decisivo, a identificação de um veículo das forças sírias como um veículo dos 'jihadistas'.

A situação foi agravada pela circunstância de os soldados sírios não envergarem uniformes militares ou identificação do país, segundo o Pentágono.

Eventualmente mais significativo para o desfecho do incidente, ocorreu uma "falha de comunicação" no momento em que as forças russas contactaram o comando norte-americano para comunicar que forças sírias estavam a ser alvejadas.

Essa chamada, feita através da linha aberta especial entre a coligação e as forças russas, sofreu um atraso de 27 minutos porque o oficial com quem os russos habitualmente falavam não estava disponível.

Durante esse período de 27 minutos ocorreu quase metade dos 32 ataques contra Deir Ezzor.

Assim que a advertência russa foi recebida, o ataque foi suspenso, apurou o inquérito.

 

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