"Reforma de Renzi aumentará burocracia e corrupção em Itália"

Um dos líderes do Movimento 5 Estrelas (M5E), em Itália, defende que a reforma constitucional do Governo de Matteo Renzi, que será referendada a 04 de dezembro, aumentará a burocracia e a corrupção no país.

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Mundo M5E

Luigi di Maio, que é vice-presidente da Câmara dos Deputados, percorreu toda a Itália em comboios regionais para explicar aos italianos, nas praças das suas localidades, que com a reforma de Renzi "aumentará a burocracia na aprovação das leis e também haverá mais corrupção" e os eleitores perderão o direito de eleger os senadores.

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O deputado de 30 anos, o mais jovem vice-presidente da Câmara dos Deputados da história italiana, é um dos políticos mais ativos na frente do "não" para o próximo referendo.

Considerado já como possível candidato do M5S a presidente do Governo nas próximas eleições, di Maio disse, em entrevista à agência EFE, que "os problemas de Itália são a burocracia e a corrupção e isso faz fugir os investidores estrangeiros e causa dificuldades às empresas italianas".

Di Maio rejeita ponto por ponto a reforma de Renzi, que elimina a função legislativa do Senado, reduzindo-o para 100 assentos, ocupados por representantes regionais.

"Retira o direito dos italianos de votar no Senado, mas dá aos conselheiros regionais e aos autarcas a imunidade parlamentar e, por isso, aumentará o caos burocrático na aprovação das leis e a corrupção".

Com veemência, mas sem o histrionismo do fundador do M5S, Beppe Grillo, di Maio garante ser "falso" que com a reforma se reduzirá o custo da política.

"Renzi dizia que se poupariam 1.000 milhões, depois retificou em 500 milhões, mas o gabinete de contabilidade pública diz que serão apenas 50 milhões (por ano). O referendo vai-nos custar 300 milhões para pouparmos 50 milhões e o Senado continuará ali com todos os seus gastos, que ascendem a 450 milhões", explicou.

O representante do M5S com maior projeção critica as análises financeiras dos últimos dias, que vaticinam quedas dos mercados ou do sistema bancário italiano se ganhar o "não", afirmando tratar­-se "uma campanha de terror", "desenhada de propósito dias antes do referendo".

"Não acertam uma há muito tempo. Tinham dito que com o 'brexit' e a vitória de (Donald) Trump cairiam todos os mercados e isso não aconteceu, no dia seguinte estavam normalizados. Isto é só uma campanha de terrorismo", afirmou.

Di Maio explicou "àqueles que estão preocupados com o destino dos bancos italianos", que a receita para salvar o banco Monte Paschi di Siena, que apresenta maiores dificuldades, passa por um "investimento estatal para criar um banco público".

O que Itália precisa para relançar os mercados é de "aprovar a reforma da justiça que está bloqueada no Senado, porque os prazos judiciais em Itália são muito longos e só assim se pode combater a burocracia e a corrupção".

O líder do M5S tem tentado explicar a "incompreensível" reforma aos italianos, "uma reforma que os cidadãos não podem compreender porque está escrita de maneira indecifrável para eles poderem fazer o que quiserem".

Di Maio confia que os italianos se informarão antes de votarem: "Tenho muita confiança no povo italiano e vão perceber que é uma fraude".

O Movimento 5 Estrelas encabeça o heterogéneo grupo que engloba todos os partidos da oposição que recordam que Renzi prometeu que se demitiria se a sua reforma fosse rejeitada.

"Há três anos e meio que os italianos não votam e tivemos dois governos que a única coisa que fizeram foi fazer estancar o PIB e aumentar a pobreza, pelo que pediremos ao presidente da República que crie as condições, quanto antes, para irmos a votos", disse Di Maio.

 

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