Casa Branca defende aproximação a Havana que "beneficiou povo americano"

A Casa Branca defendeu hoje o processo de restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba, um passo concretizado em julho de 2015 que o Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, ameaça agora reverter.

© Getty Images
Mundo Josh Earnest

"Após cinco décadas sem ver resultados, o Presidente [o democrata Barack Obama] acreditou que era a hora de tentar algo diferente", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, insistindo que a "abertura" conseguiu produzir "importantes benefícios para o povo cubano".

PUB

E acrescentou: "E também rendeu importantes benefícios para o povo americano".

Dias após a morte do líder histórico cubano Fidel Castro, que morreu na noite de sexta-feira, o Presidente eleito norte-americano, Donald Trump, ameaçou hoje terminar o acordo entre Washington e Havana caso o Governo cubano não faça avanços nos direitos humanos e na abertura da economia.

"Se Cuba não estiver disposta a fazer um acordo melhor para o povo cubano, para os cubanos-americanos e para os Estados Unidos, no seu conjunto, porei fim ao acordo", escreveu Trump na sua conta na rede social Twitter.

Em reação a estas declarações, a Casa Branca argumentou que a abertura da embaixada norte-americana em Havana, o restabelecimento dos voos diretos entre os dois países e outras medidas não foram "concessões" mas sim decisões que servem os interesses norte-americanos.

Depois de vários meses de rondas negociais, os líderes norte-americano e cubano, Barack Obama e Raul Castro, anunciaram a 01 de julho de 2015 o restabelecimento das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas nas capitais de cada país.

Estes velhos inimigos da Guerra Fria, que viveram de costas voltadas durante mais de 50 anos, estão separados unicamente pelos 150 quilómetros do Estreito da Florida.

Em março passado, Barack Obama tornou-se no primeiro Presidente norte-americano em exercício a visitar a ilha caribenha em 88 anos.

Apesar do restabelecimento das relações diplomáticas e do alívio de algumas restrições, a questão do embargo norte-americano a Cuba ainda não foi resolvida.

Decretado em fevereiro de 1962, e severamente reforçado pela lei Helms-Burton de 1996, o embargo económico, comercial e financeiro é frequentemente denunciado por Havana como um obstáculo ao desenvolvimento da ilha caribenha, com prejuízos estimados superiores a 100 mil milhões de dólares (cerca de 89 mil milhões de euros).

 

COMENTÁRIOS REGRAS DE CONDUTA DOS COMENTÁRIOS