Fizeram-se esforços "insuficientes" para realocar menores de Calais

A Amnistia Internacional (AI) considerou hoje "insuficientes" os esforços das autoridades britânicas e francesas para que os menores desacompanhados que vivem na "selva" de Calais, no norte de França, sejam realocados junto aos seus familiares em solo britânico.

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Mundo Amnistia

"Embora ontem [terça-feira] 12 menores terem atravessado legalmente o Canal da Mancha para se juntarem a parentes no Reino Unido", a Amnistia Internacional considera "insuficientes" os esforços de Londres e Paris no que respeita "ao plano de evacuação e realojamento em França dos imigrantes e refugiados de Calais".

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O comunicado organização de defesa dos direitos humanos coincide com a iminência do desmantelamento do acampamento -- autorizado na terça-feira pela justiça francesa.

Não foi avançada uma data oficial para o início das operações -- que tem estado condicionado precisamente pelo destino dos menores desacompanhados --, mas meios de comunicação social e organizações não-governamentais especulam que será no próximo dia 24.

Segundo dados da Unicef, citados pela AI, calcula-se que existam 1.200 menores sem a companhia de adultos, ou seja, entre 15 e 20% dos imigrantes do acampamento que são 6.500, segundo o governo francês, e 10.000 de acordo com as ONG, a maioria de países instáveis e pobres, como Sudão, Afeganistão e Eritreia.

Os menores figuram como a franja mais vulnerável dentro do acampamento, com as organizações humanitárias a alertarem que a falta de proteção torna-os mais propensos a cair em redes de prostituição ou de tráfico de órgãos.

"No direito europeu existe a norma 'Dublin III' que prevê que os governos adotem as medidas necessárias para que o reagrupamento familiar dos requerentes de asilo seja levado a cabo, sem que esse direito se limite apenas às crianças desacompanhadas", declarou Jean-François Dubost, responsável para o programa de proteção das populações da AI em França, na mesma nota.

Segundo a AI, a evacuação do acampamento de Calais deverá "respeitar a dignidade" dos que vivem "nas condições degradantes" do acampamento, devendo a operação para o efeito "respeitar as regras internacionais".

"Existe o risco de que se dispersem na França e não possam exercer eficazmente o seu direito a reunir-se com os seus parentes no Reino Unido", alertou a organização.

O governo francês conta realojar os imigrantes e requerentes de asilo nos 164 centros de acolhimento do país.

Esta iniciativa é, no entanto, polémica, dado que inúmeros autarcas e dirigentes regionais de centro-direita e da extrema-direita francesa se opõem a recebê-los.

 

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