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Índios Guarani-kaiowa dizem que estão a morrer aos poucos na Amazónia

"Estamos vivos, mas estamos a morrer aos poucos", afirmaram hoje dois representantes dos índios Guarani-kaiowa, da Amazónia, que foram a Paris lançar um grito de alarme perante a desflorestação e a expropriação das suas terras.

Índios Guarani-kaiowa dizem que estão a morrer aos poucos na Amazónia
Notícias ao Minuto

23:37 - 22/07/15 por Lusa

Mundo Paris

"Estamos aqui para pedir ajuda, não apenas para a floresta e a natureza, mas também para a nossa vida", explicou durante uma conferência de imprensa Valdelice Veron, filha de um dirigente índio assassinado por um agricultor, em 2003.

Como o seu pai, cerca de 300 membros desta comunidade de 45 mil almas, foram "massacrados nos últimos dez anos", em conflitos associados à expansão da cultura da soja e cana-de-açúcar, contou.

"No Mato Grosso do Sul, a soja e o etanol que vocês consomem estão misturados com sangue guarani-kaiowa", denunciou a representante do segundo povo autóctone do Brasil, instalado em 42 mil hectares.

Ela mesmo declarou-se ameaçada de morte no seu próprio país. Esta foi a primeira viagem de Valdelice Veron para fora do Brasil, acompanhada pelo chefe Natanael Vilharva-Caceres.

Os dois participaram na terça-feira numa "cimeira de consciências", organizada pela França, para preparar um acordo universal com vista a travar as alterações climáticas.

"Estamos a morrer pouco a pouco", disse Vilharva-Caceres, que se exprimiu em português, com a cabeça a ostentar uma coroa de penas.

No banco dos acusados estão as culturas extensivas de soja transgénica, encorajadas por uma maciça procura chinesa, e as grandes multinacionais produtoras de biocombustíveis, a partir da cana-de-açúcar, "cuja atividade agrava os conflitos fundiários", sublinhou a organização não-governamental (ONG) Planeta Amazónia.

A produção mundial de etanol foi multiplicada por seis, de 2000 para 2010, passando de 19 milhões para 100 milhões de metros cúbicos, acentuou aquela entidade.

"Assassínios, roubo de terras, subalimentação, problemas de saúde, acidentes de trabalho e salários não pagos são o quotidiano do povo Guarani-Kaiowa", continuou a ONG.

Em Paris, estes representantes índios foram recebidos na segunda-feira, no Palácio do Eliseu, por Nicolas Hulot, que é o enviado especial do Presidente François Hollande para o problema do aquecimento global. Deslocaram-se também à Assembleia Nacional Francesa onde tiveram várias reuniões.

No final de junho, o Conselho Indigenista Missionário do Brasil, ligado à Igreja Católica, denunciou uma recrudescência da violência contra os povos indígenas no país, em 2014, com 138 assassínios de índios, mais 42% em relação a 2013, e 135 suicídios recenseados.

Cerca de 890 mil índios vivem no Brasil, numa população total de 202 milhões. As suas terras ocupam 12% do território, na sua maior parte localizadas na Amazónia, mas muitas devem continuar a ser delimitadas e ocupadas por colonos.

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