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Catalunha: O maior exercício de desobediência em muitos anos

Miquel Buch, presidente da Associação Catalã de Municípios (ACM), promete que, com ou sem recursos de Madrid, o "clamor social" a favor do direito a decidir sobre o futuro da Catalunha não vai parar de crescer.

Catalunha: O maior exercício de desobediência em muitos anos

"Este é o maior exercício de desobediência feito pela Catalunha em muitos anos. Traduz um clamor social que não vai parar", disse numa entrevista à Lusa na sede da ACM, no centro de Barcelona.

'Alcaide' de Prémia de Mar, a cerca de 20 quilómetros de Barcelona, Buch diz que "mesmo no pior cenário" em que a Guarda Civil chegue, a 9 de novembro, para fechar as urnas, ou que o Governo avance com mais recursos, haverá outras alternativas.

"Haverá um 10N, um 11N. Outros caminhos. Não se pode lutar contra a convicção popular", disse, criticando a decisão do executivo espanhol avançar com novo recurso contra a consulta.

"A vitória é poder praticar a democracia num estado democrático. Essa é a grande vitória. Na Catalunha só se está a pedir poder votar. Não há carros sem rodas e não há democracia sem voto. E aqui proíbe-se o voto", afirmou.

E para justificar o que diz ser o anacrónico da situação que se vive hoje na Catalunha refere, por exemplo, que em breve os "premianenses" (os seus munícipes) vão pode votar sobre uma projetada expropriação de terrenos mas são proibidos, pelo Governo espanhol, em Madrid, de votar sobre o futuro da sua nação.

"A água quando desce até ao mar encontra o seu caminho. Se for pouca, seca, mas se for muita, destrói arvores, casas, faz caminhos novos, o que for necessário para chegar ao mar", explica.

"Se o que está a acontecer na Catalunha fosse de pouca gente, do presidente da Catalunha, de certeza que se secaria no caminho. Mas quando é o governo, o parlamento, as autarquias e uma grande maioria social, a água vai chegar ao mar e passará por onde tenha que passar", garante.

Buch lidera um organismo que reúne 916 dos 947 municípios catalães, 37 das 41 comarcas e as 4 deputações provinciais, alguns dos principais pilares do movimento pró-consulta na Catalunha: a somar ao Governo e parlamento regional e à crescente sociedade civil.

Esse apoio evidenciou-se nos últimos meses com a realização de sessões plenárias para aprovação de moções de apoio à consulta independentista catalã em 920 municípios.

Mais recentemente, quando o Governo regional optou pelo novo modelo de "participação cidadã", tinha cerca de 600 pontos de votos (em centros educativos geridos pelo governo regional) em 260 localidades.

A intervenção da ACM permitiu ampliar esses locais para cerca de 1.700 em 942 dos 947 municípios de toda a Catalunha.

Mesmo que as moções de apoio se referissem, explicitamente, à lei consultas e ao decreto de convocatória - entretanto suspenso pelo Tribunal Constitucional - Buch recorda que "o essencial se mantém".

"O que queremos é que se nos pergunte aos catalães qual é o nosso futuro politico, dentro do Estado espanhol ou como Estado independente", disse.

"A única diferença real, efetiva, (entre os dois modelos de consulta) é de que quando vais votar, normalmente, há um caderno eleitoral e, neste caso, quem quiser votar leva o seu BI e diz que quer participar", afirmou.

Questionado sobre porque não se sente espanhol, Buch usa uma metáfora de um casamento, explicando que a relação "acabou".

"Com a minha mulher tentarei muitas vezes para conseguir a convivência. Mas se ela se nega, me insulta, me diz para não falar o meu idioma, que fica com o meu dinheiro e eu fico mais pobre. Tentamos tantas vezes e não funcionou que é melhor separar-nos", explica.

Apesar de admitir que se o Governo espanhol tivesse aceite um Pacto Fiscal com a Catalunha "não se estaria aqui, agora", Buch rejeita que se trate apenas de uma questão económica.

Insiste que são vários os episódios nos últimos anos que levam cada vez mais catalães a apoiar a separação.

"Porque impedem que falemos o nosso idioma. Porque nos engam há muitos anos, prometem investimentos que não chegam, porque há acordos assinados que não cumprem., porque o povo catalão votou um estatuto de autonomia e o Tribunal Constitucional, politizado, o derrubou", explica.

"Eu considero que Espanha não me quer como sou. Não quero esta Espanha", disse.

Afirmando que o "problema da Catalunha" tem sido conduzido, neste região "com respeito, com diálogo, com civismo, e sem qualquer problema", relembra as participações massivas em protestos a favor da consulta e recorda que isso deixa ao Governo e Estado espanhol "um problema político".

"O governo pretende utilizar este problema no campo jurídico quando as leis são feitas pelos políticos. Sou político e perante um problema politico, modernizo, atualizo, altero as leis. Se não hoje não poderias fazer muito do que fazes. Quando tens um problema concreto com um povo de uma nação, tens que procurar alternativas", disse.

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