À medida que o início do julgamento de Jair Bolsonaro - e outros sete acusados - se aproxima, com data marcada para 2 de setembro, os olhos estão 'postos' na casa do antigo presidente.
Não só o Brasil, como outras partes do mundo querem saber o desfecho da situação na qual Bolsonaro é acusado de ser o "principal articulador, maior beneficiário e autor": uma tentativa de golpe de Estado após a sua derrota para Lula da Silva. Para quem vive a situação de perto, como os vizinhos de Bolsonaro, também importa o dia a dia à volta das suas casas. Uns 'amam', outros não tanto, mas, ao pormenor, o que acham?
Do "olho do furacão" ao "adorar tanta polícia"
Face ao endurecimento de medidas impostas pelo Supremo Tribunal de Justiça, devido ao perigo de fuga, uma 'onda' policial invadiu o condomínio Solar de Brasília. Uma das moradoras, que não se quis identificar ao g1, explicou que se sentia incomodada com a situação.
"Da minha parte, preferiria que o nosso condomínio não estivesse no olho do furacão", explicou, dando conta de que o trânsito no local foi alterado devido a manifestações no condomínio. "As pessoas estão muito divididas, parece que os ânimos estão sempre exaltados", observou.
A mesma mulher referiu que estava a começar a ficar receosa com a situação, confessando que foi hoje a primeira vez que sentiu algum 'perigo': "Hoje realmente sinto uma insegurança porque ninguém sabe o que vai acontecer daqui para frente, então qualquer dia pode haver um problema."
Mas esta mulher não foi a única que não se quis identificar ao g1, apesar de falar sobre o ex-presidente, que considerou que era "um bom vizinho". "Ele é na dele. Ia à padaria, andava pelo condomínio, parece ter uma vida normal. Não é uma pessoa pomposa", disse um outro morador.
O mesmo homem contou à publicação brasileira que no início de toda a situação houve mesmo trocas de mensagens mais acesas no grupo de WhatsApp dos residentes do condomínio, com algumas pessoas a pedirem a expulsão de Jair Bolsonaro do local. Depois, com o ordem de prisão domiciliária, as coisas terão acalmado, e Jair não terá - mesmo - saído de casa, ou pelo menos, não foi visto fora dela.
Quanto ao reforço policial que é agora o 'novo residente' deste condomínio de Brasília, o morador disse que se sente muito seguro: "Estou a adorar esse tanto de polícia. Aqui já era seguro, agora é o lugar mais seguro de Brasília."
Mas... que condomínio é este?
O g1 faz ainda um resumo do condomínio, que fica na zona do Jardim Botânico, uma das áreas mais nobres da capital brasileira.
Segundo a publicação, o condomínio é conhecido pelas casas de luxo e, 'feitas as contas', arrendar uma casa semelhante à de Bolsonaro custa entre 12 mil a 18 mil reais por mês (1.890 euros a 2.835 euros).
O condomínio tem 1.258 terrenos, além das pistas de caminhada, ciclovias e ruas sinalizadas. Tem ainda áreas de lazer para desporto, churrasqueira, pista de skate, parques, igrejas e espaço de lazer para idosos.
Recorde o caso
Bolsonaro está em prisão domiciliária desde o passado dia 4, quando o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, 'apertou' a pena, depois de considerar que as medidas cautelares já impostas tinham sido violadas. Moraes apontou que Bolsonaro utilizou as redes sociais de aliados, incluindo dos seus três filhos, para divulgar mensagens com "claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro".
Já este sábado, o Supremo ordenou o reforço da vigilância policial da residência de Bolsonaro, para evitar uma fuga na véspera do julgamento. A ordem de Moraes incluiu também que houvesse uma monitorização da área externa da residência.
Segundo o juiz, as novas medidas conciliam a "privacidade" dos outros ocupantes da casa, onde Bolsonaro mora com a mulher e a filha, com a "necessária garantia da lei penal", para impedir "qualquer possibilidade de fuga".
Alexandre de Moraes, em linha com a opinião do Ministério Público, evitou ordenar a vigilância dos movimentos do ex-Presidente dentro da casa, como havia sido sugerido pela Polícia Federal.
Recorde-se que além de estar em prisão domiciliária, o ex-presidente usa pulseira eletrónica e está proibido de usar redes sociais, como parte das medidas cautelares que lhe foram impostas.
Bolsonaro está a ser julgado por supostamente liderar uma conspiração que visava anular os resultados das eleições de 2022, nas quais foi derrotado pelo atual presidente do Brasil, Lula da Silva, e incitar ataques às sedes da presidência, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal em 8 de janeiro de 2023.
Os cinco crimes dos quais, com outros altos funcionários militares e políticos do seu governo são acusados, podem levar a uma pena de prisão de cerca de 40 anos.
Para além do dia 2, há ainda sessões marcadas para 3,9, 10 e 12 de setembro. Quantos aos outros réus, são estes os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa); Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
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