"É necessário criar um plano de emergência para situações de crise. Temos de tirar lições deste acontecimento trágico que ninguém deseja", afirmou Francisco Carvalho, em conferência de imprensa, no final de uma visita de dois dias à ilha.
O líder do PAICV e presidente da Câmara Municipal da capital do país considerou que o plano deve ser pensado a médio e longo prazo, "para projetar Cabo Verde e não apenas em respostas imediatas".
Além disso, disse ainda que vai propor medidas concretas e que está disponível para ser "porta-voz da ilha junto do Governo e de outras autoridades nacionais".
"É nossa responsabilidade enquanto PAICV, mas as medidas a que vamos dar voz farão parte do nosso programa de governação de Cabo Verde", acrescentou.
As propostas apresentadas pelo PAICV "respondem ao que a sociedade cabo-verdiana mais reclama".
Estas incluem baixar os preços das viagens internas (barco e avião), garantir acesso gratuito à universidade, consultas, medicamentos e exames a quem não pode pagar, promover um Estado mais eficiente, com mais concursos públicos e fiscalização.
Francisco Carvalho acrescentou hoje ainda que eliminar as barracas em Cabo Verde "é um compromisso de honra para o PAICV".
Além disso, adiantou que já discutiu com o presidente da Câmara local formas de apoiar a ilha, tanto a nível técnico como através de processos de angariação de mais apoios internacionais.
A Câmara da Praia vai concorrer a um fundo internacional relacionado com as alterações climáticas e o montante arrecadado será destinado integralmente a São Vicente.
A tempestade de 11 de agosto em São Vicente provocou nove mortos, dois desaparecidos, bairros inundados e estragos em estradas, casas, pontes e estabelecimentos comerciais, além de falhas no fornecimento de energia e arrastamento de viaturas e outros bens para o mar.
Na sequência, o Governo declarou situação de calamidade por seis meses em São Vicente, Porto Novo (Santo Antão) e nos dois concelhos de São Nicolau.
O executivo aprovou também um plano de resposta que inclui apoios de emergência às famílias e às atividades económicas, com linhas de crédito bonificado e verbas a fundo perdido.
Para financiar estas medidas, estão a ser mobilizados recursos do Fundo Nacional de Emergência e do Fundo Soberano de Emergência, criado em 2019 para responder a catástrofes naturais e choques externos.
Segundo o ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, Fernando Elísio Freire, 74 famílias, num total de 255 pessoas, encontram-se atualmente em centros de acolhimento em São Vicente.
Entre elas, 12 perderam todos os bens, enquanto 62 não podem regressar às suas casas, consideradas sem condições de segurança.
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