Os procuradores federais dos Estados Unidos acusaram Luigi Mangione, o jovem de 27 anos suspeito de assassinar o CEO da seguradora norte-americana United Healthcare, Brian Thompson, de pretender "normalizar o uso da violência" e de ser uma fonte de inspiração para outros indivíduos. Consideraram, por isso, que representa uma ameaça ao público em geral, numa moção judicial entregue na quarta-feira.
“Em termos simples, o réu esperava normalizar o uso da violência para alcançar objetivos ideológicos ou políticos. […] Desde o assassinato, certos setores da população - que se identificam abertamente como seguidores do réu - começaram cada vez mais a ver a violência como um substituto aceitável, ou mesmo necessário, para o desacordo político racional”, lê-se na missiva, citada pela NBC News.
Mangione, que foi detido cinco dias depois do assassinato, na Pensilvânia, declarou-se inocente das acusações federais e estatais de homicídio, assim como de perseguição e do uso de um silenciador na arma do crime, que ocorreu no dia 4 de dezembro de 2024, em Nova Iorque.
Os procuradores consideraram, contudo, que o jovem tem "cultivado abertamente apoiantes", ao ter criado um site onde se dirige diretamente ao público em geral, além de ter catalogado as cartas que recebeu enquanto esteve detido na prisão federal de Brooklyn.
Nessa linha, o documento tem por objetivo impedir que a defesa tenha acesso a informações que pediu - isto porque a defesa de Mangione apresentou uma outra moção na qual pede o acesso a mais informações, nomeadamente, ao que o governo pretende apresentar como provas em tribunal para sustentar o pedido de pena de morte.
Os procuradores incluíram, numa nota de rodapé, o ataque de 28 de julho à sede da liga profissional de futebol americano (NFL, na sigla inglesa), em Park Avenue, que foi levado a cabo por Shane Tamura. O jovem de 27 anos matou um polícia de Nova Iorque fora de serviço, um executivo da Blackstone e duas outras pessoas, antes de colocar termo à própria vida.
"Tal como Mangione, Tamura deixou para trás provas para os investigadores encontrarem, culpando a NFL e o futebol americano por causarem encefalopatia traumática crónica", escreveram, numa referência à doença cerebral frequentemente causada por concussões.
E complementaram: "Quase imediatamente, membros do público solidários com o réu elogiaram as ações de Tamura como uma continuação louvável da filosofia do réu."
Em junho, os procuradores detalharam que Mangione delineou o seu plano contra o "cartel mortal e ganancioso dos seguros de saúde" num caderno vermelho, que foi encontrado após a sua detenção.
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