A descoberta de um esqueleto bem conservado no Vietname pode agora datar a primeira rixa mortal no sudeste asiático entre caçadores. Os restos mortais datam da Era do Pleistoceno, também conhecida como Idade do Gelo, há cerca de 12 mil anos, e indicam que a vítima se tratava de um homem de 35 anos.
Segundo a CNN Internacional, que cita um estudo publicado, um homem sobreviveu meses depois de ter sido atingido por um pedaço de quartzo no pescoço. Causado o ferimento, decorreu depois uma infeção, que durou meses até à sua morte.
Os restos mortais foram encontrados numa zona classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Contactado pela publicação, Hugo Reyes-Centeno, um professor da Universidade do Kentucky que não participou no estudo, explicou que o material humano desta Era é "relativamente escasso".
Segundo o especialista, há "evidências abundantes de violência interpessoal no Holoceno", época que sucedeu à Idade do Gelo. "Particularmente à medida que as populações adotam economias de produção de alimentos e as sociedades se tornam mais estratificadas, mas há menos exemplos do Pleistoceno de populações que presumivelmente praticavam uma economia de recolha de alimentos" acrescentou, apontando que este é um "estudo que se junta a raros exemplos".
Segundo o que é explicado, o esqueleto foi encontrado em dezembro de 2017, e incluía toda a dentição. A bacia e vértebras foram encontradas parcialmente partidas, mas ao longo do ano seguinte os especialistas trataram os restos mortais para os analisar. O estado dos ossos encontrava-se deteriorado devido às condições da cave onde o homem foi enterrado há milhares de anos, que não eram as melhores para conservação.
"Fica nos subtrópicos, então há muita água e muita deposição de carbonato de cálcio", disse o autor principal do estudo, Chris Stimpson, à CNN, referindo que isso torna os sedimentos "muito pegajosos".
Pela análise foi ainda possível ver que o caçador teve uma fratura no tornozelo e que a sua saúde era boa antes de ter sido atingido com o pedaço de quartzo afiado e de os tecidos ao redor do mesma terem infetado.
Foi também encontrado junto aos restos mortais um pedaço afiado de quartzo, o único na zona em questão. "Dada a diferença entre a ferramenta que causou o ferimento e as ferramentas encontradas no sítio, o estudo abre a intrigante possibilidade de violência entre membros de diferentes populações", detalhou Reyes-Centeno, explicando que "mais trabalhos arqueológicos no local e na região são necessários para reconstruir completamente as circunstâncias da morte do indivíduo".
Os especialistas adiantam ainda que o facto de este ter sobrevivido alguns meses indica também que o homem pode não ter sofrido ou morrido sozinho, mas é tudo "especulativo" para já. "Mas ter sido enterrado da maneira que foi e no local onde estava indica que os seus companheiros podem ter cuidado dele, tanto na vida, como na morte."
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