Quatro padres e o diretor de um colégio privado em Nantes, em França, foram acusados de violação e abuso sexual de menores. De acordo com a imprensa francesa, os crimes ocorreram ao longo de décadas, entre 1958 e 1995, e os suspeitos já morreram.
Esta sexta-feira, 29 de agosto, a Diocese de Nantes e a direção do colégio de Saint-Stanislas, em Loire-Atlantique, revelaram que tiveram conhecimento de uma série de violações e abusos sexuais cometidos contra, pelo menos, dez crianças.
"Esses eventos ocorreram precisamente entre 1958 e 1995 e envolvem padres e pelo menos um membro da equipa pedagógica", indicou Frédéric Delemazure, atual diretor do colégio, em conferência de imprensa, citado pelo Le Monde.
As denúncias das vítimas incluem violações, abusos sexuais e toques não consentidos dentro do colégio e "pelo menos uma vítima" disse ter sido abusada no decorrer de um acampamento de férias organizado pelo estabelecimento de ensino.
"Estamos chocados com estes testemunhos e profundamente revoltados com os atos que foram relatados. Estas violências constituem uma traição inaceitável à promessa educativa e aos valores evangélicos que o nosso projeto educativo promove", declarou Delemazure, frisando que vidas foram destruídas".
As vítimas são nove homens e uma mulher, que frequentaram o ensino básico do colégio Saint-Stanislas entre 1958 e 1978, 1980 e 1981 e 1991 e 1995. Do total de vítimas, três já morreram. De acordo com Presse Océan, uma das vítimas colocou termo à própria vida, dando origem a uma das queixas apresentadas este ano.
"A família, após as revelações e a morte, pediu-nos para esclarecer o assunto. Revelaram-nos que a vítima tinha sofrido abusos terríveis na década de 1990 no colégio Saint-Stanislas", indicou Delemazure.
Nenhum dos acusados está vivo, tendo o último morrido em 2011, mas os factos foram comunicados à justiça e às forças de segurança.
Presente na mesma conferência de imprensa, o bispo de Nantes, Dom Laurent Percerou, lançou um apelo, esperando que "aqueles que podem ter sido vítimas de agressão física ou sexual em Saint-Stanislas e nas escolas católicas de Loire-Atlantique se apresentem".
"Sabemos que outras crianças sofreram tais violências", disse Dom Laurent Percerou, que manifestou "vergonha" pelos crimes.
De acordo com os responsáveis, as denúncias podem ter sido influenciadas pelo caso do liceu de Bétharram, nos Pirenéus Atlânticos, que é alvo de mais de 200 queixas de ex-alunos por violência física e sexual desde os anos 1960.
"Temos a impressão de que o caso Bétharram levou algumas vítimas a agir e finalmente a testemunhar", afirmaram.
O caso Bétharram, sublinhe-se, levou à abertura de uma comissão de inquérito na Assembleia Nacional. O primeiro-ministro francês, François Bayrou, foi um dos ouvidos pelos deputados por ter sido ministra da Educação entre 1993 e 1997.
Bayrou tem sido acusado de ter tido conhecimento das violências cometidas ao longo de décadas pelos antigos clérigos e funcionários do liceu e de ter eventualmente intervindo junto dos tribunais, falando com um juiz, quando foi ocupava a pasta da Educação.
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