"Este artigo do Politico é uma grave violação do jornalismo. Mas é mais do que isso: é uma operação de interferência estrangeira com o objetivo de prejudicar o Governo e um dos nossos membros mais eficientes", criticou o vice-presidente norte-americano na rede social X.
JD Vance acrescentou na sua reação que este tipo de artigos procura minar os esforços para encontrar um acordo de paz no conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou pelo seu lado que "muitos jornalistas estão a ser usados como carneiros por pessoas que promovem uma agenda clara".
O artigo foi divulgado hoje na página eletrónica do projeto de jornalismo político, detido pelo grupo alemão Axel Springer, com o título "A sua inexperiência é evidente".
O foco do texto recai na figura de Steve Witkoff, 68 anos, um apoiante do Partido Republicano, empresário do ramo imobiliário e amigo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que o indicou para gerir temas diplomáticos sensíveis, como os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.
Num coro de críticas, outros altos funcionários da Casa Branca próximos de Donald Trump repetiram as palavras de JD Vance sobre "interferência estrangeira", destacando que se trata de um órgão controlado por alemães.
O texto inclui 13 testemunhas de várias personalidades europeias e norte-americanas, na maioria sob anonimato, com numerosas críticas a Witkoff, entre as quais a de abordar a guerra que se prolonga há mais de três anos entre Moscovo e Kiev a partir de uma "perspetiva imobiliária, como se de uma disputa de terras se tratasse".
Uma pessoa familiarizada com os esforços diplomáticos de Witkoff disse ao Politico que "a sua inexperiência é evidente", como é evidente que tem a confiança de Trump, apesar de "alguma confusão sobre o que foi dito e acordado" nos seus contactos diplomáticos.
O artigo refere ainda que o enviado especial "parece ter dificuldade em realizar várias tarefas ao mesmo tempo", e outras fontes anónimas acusam-no de não verificar os seus 'e-mails' governamentais com regularidade, de não ser contactável pela sua equipa de conselheiros, nem ouvir consultores dentro e fora da administração norte-americana.
Acima de tudo, várias fontes sublinham que parece muitas vezes agir sozinho e, como resultado, não comunicou adequadamente o conteúdo das suas discussões com o líder russo, Vladimir Putin, aos diplomatas norte-americanos, o que levou a mal-entendidos com Moscovo.
No entanto, o Politico também partilhou comentários positivos, como do conselheiro de Segurança Nacional britânico, Jonathan Powell, que afirmou que "Witkoff conseguiu abrir portas que mais ninguém conseguiu" e que "é alguém que constrói confiança com atores-chave".
Witkoff foi responsável pela preparação do encontro histórico entre Vladimir Putin e Donald Trump no Alasca, em 15 de agosto, que no entanto não produziu resultados concretos para uma saída pacífica do conflito, iniciado pela Rússia em fevereiro de 2022.
Hoje, o enviado da Casa Branca tinha agendado um encontro em Nova Iorque com uma delegação da Ucrânia, que afirma estar pronta para acolher as iniciativas de paz de Washington, mas "cada uma delas está bloqueada pela Rússia", escreveu o chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriy Yermak, na rede social X, indicando que convidou Witkoff a visitar Kyiv.
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