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Nova Orleães marca 20.º aniversário do furacão Katrina com memoriais

Vinte anos depois do furacão Katrina ter devastado a costa do Golfo dos Estados Unidos com uma catastrófica subida da maré e inundações, Nova Orleães prestou hoje homenagens aos mortos, deslocados e sobreviventes determinados que reconstruíram a cidade.

Nova Orleães marca 20.º aniversário do furacão Katrina com memoriais

© Lusa

Lusa
29/08/2025 20:28 ‧ há 4 horas por Lusa

Responsáveis políticos locais e moradores de longa data reuniram-se, sob um céu cinzento, no memorial às vítimas de Katrina no cemitério de Nova Orleães, onde dezenas de vítimas mortais da tempestade nunca identificados ou reclamados estão enterrados.

 

"Fazemos tudo para manter viva a memória dessas pessoas", afirmou Orrin Duncan, que trabalhou como legista quando o Katrina atingiu a cidade.

A tempestade matou quase 1.400 pessoas em cinco estados dos Estados Unidos e provocou prejuízos estimados em 200 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros), arrasando casas na costa e causando inundações devastadoras em bairros das classes mais baixas.

Duas décadas depois, continua a ser o furacão mais caro da história dos EUA, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

A falha do sistema de diques federal de Nova Orleães permitiu a inundação de cerca de 80% da cidade com águas da enchente, que levaram semanas a escoar. Milhares de pessoas agarraram-se a telhados para sobreviver ou esperaram que as retirassem para o sufocante e mal equipado estádio de futebol Superdome.

Hoje, no memorial do cemitério, o clarinetista de jazz Michael White tocou "Quando os Santos Marcham", enquanto um desfile carregava várias coroas para deixar ao lado dos mausoléus das vítimas.

A presidente da Câmara da cidade, LaToya Cantrell, recordou os sacrifícios da população e projetou otimismo para o seu futuro. "Nova Orleães ainda está aqui; Nova Orleães ainda se mantém", disse. "Nova Orleães voltou melhor e mais forte do que nunca", concluiu.

Também o ex-vice-presidente Al Gore estava entre os presentes no bairro Lower Ninth Ward da cidade, uma comunidade predominantemente negra, onde uma rutura da barragem levou a inundações devastadoras que foram agravadas por uma resposta governamental atrasada.

Enquanto multidões se reuniam ao longo da parede da barragem, trabalhadores da construção colocaram tijolos para terminar o restauro de um memorial às vítimas do Katrina, que caiu, frustrando os moradores.

Estima-se que milhares se juntaram a um desfile de uma banda de metais conhecido como "segunda linha".

Esta tradição de Nova Orleães tem as suas raízes nos funerais de jazz afro-americanos, onde os membros da família enlutada marcham com o falecido ao lado de uma banda, seguidos por uma segunda linha de amigos dançando e espetadores.

Em todos os aniversários do furacão Katrina se realizaram desfiles, desde que os artistas locais o organizaram o primeiro, em 2006, para ajudar os vizinhos a curar e unir a comunidade. "A segunda linha permite que todos se reúnam", afirmou Lennox Yearwood do Hip Hop Caucus, um organizador dos eventos do aniversário.

"Ainda estamos aqui e, apesar da tempestade, as pessoas foram fortes e muito poderosas e uniram-se todos os anos para continuarem a estar lá uns para os outros", sublinhou.

Os líderes municipais estão a fazer pressão para que o aniversário se torne feriado estadual.

O impacto do Katrina também se fez sentir no Mississípi, onde centenas de pessoas morreram quando a tempestade demoliu casas com vista para o Golfo, por isso, os moradores e responsáveis locais também se reuniram hoje para marcar o aniversário em Gulfport.

Haley Barbour, governador do Mississípi, lembrou a "destruição total" que testemunhou a bordo de um helicóptero depois de a tempestade ter passado. "Parecia que a mão de Deus tinha varrido a costa", afirmou Barbour.

A população de Nova Orleães, de quase meio milhão antes do Katrina, é agora de 384.000, também porque vários residentes deslocados estão agora espalhados pelo país. Muitos acabaram em Atlanta, Dallas e Houston.

No rescaldo, o sistema de diques foi reconstruído, as escolas públicas foram privatizadas, a maioria dos projetos de habitação pública foram demolidos e um hospital foi encerrado. Cerca de 134.000 habitações foram danificadas pelo Katrina, de acordo com o Data Center, uma agência de pesquisa sem fins lucrativos.

Leia Também: Katrina "é história de justiça ambiental" com erros humanos que se mantêm

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