Christian Brückner, o principal suspeito do desaparecimento de Madeleine McCann, que está a cumprir pena de prisão na Alemanha pelo crime de violação, será libertado dentro de três semanas.
Segundo adiantou à BBC o procurador alemão Hans Christian Wolters, que lidera a investigação sobre o caso de Madeleine McCann desde 2020, Brückner será libertado até 17 de setembro.
Apesar de considerar que o alemão, de 48 anos, continua a ser perigoso para a sociedade, Wolters explicou que a situação jurídica atual exige que seja libertado.
Sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, o procurador afirmou que Brückner "não é apenas o principal suspeito", mas sim "o único suspeito". "Não há mais ninguém", atirou.
"Temos provas que apontam contra [Brückner], que indicam que ele é responsável pelo desaparecimento e pela morte de Madeleine McCann", acrescentou, frisando que não encontraram "nada nos últimos cinco anos que o ilibasse".
"Encontrámos provas que reforçam o nosso caso. Mas, na nossa opinião, não são suficientemente fortes para tornar provável um veredicto de culpado, e é por isso que, até agora, não pudemos acusá-lo nem solicitar um mandado de detenção", adiantou.
Recorde-se que, no início de junho, a Polícia Judiciária (PJ) deu "cumprimento a uma Decisão Europeia de Investigação", que incluía mandados de busca, no âmbito do desaparecimento Madeleine McCann, em Lagos.
Em comunicado, enviado às redações, a PJ explicou que os mandados de busca foram emitidos pelo Ministério Público de Braunschweig, que "conduz um processo preliminar" contra Christian Brückner, "suspeito da prática de homicídio da cidadã britânica Madeleine Beth McCANN, que desapareceu de uma estância de férias na Praia da Luz a 3 de maio de 2007".
O Ministério Público alemão admitiu, em 2023, a possibilidade de a menina, que desapareceu na Praia da Luz, no Algarve, estar morta.
O nome do alemão surgiu pela primeira vez na lista de suspeitos no rapto em junho de 2020. Segundo as autoridades, Brückner terá vivido no Algarve entre 1995 e 2007 e registos telefónicos colocam-no na área da Praia da Luz no dia em que a criança inglesa de três anos desapareceu.
Em setembro de 2024, durante um julgamento na Alemanha não relacionado com o desaparecimento de Maddie McCann, um ex-companheiro de cela contou que o alemão confessou ter raptado uma criança.
Citada pela imprensa britânica, a testemunha, identificada como Laurentiu Codin, revelou que a confissão aconteceu quando ambos estavam em prisão preventiva no mesmo estabelecimento prisional.
"Disse-me que tinha roubado em Portugal", contou perante o tribunal de Braunschweig, no norte da Alemanha. "Estava numa região onde há hotéis e vivem pessoas ricas. Disse que havia um sítio com uma janela aberta, contou-me isso. Estava à procura de dinheiro".
"Disse que não encontrou dinheiro, mas encontrou uma criança e levou-a. Disse que, duas horas mais tarde, havia polícia e cães por todo o lado e que, por isso, se tinha ido embora, para fora da zona", acrescentou.
Brückner, recorde-se, foi condenado em 2019 a sete anos de prisão pelo Tribunal de Braunschweig pela violação de uma mulher norte-americana de 72 anos, em 2005, no Algarve.
Em 2024, o alemão foi novamente levado a tribunal por cinco acusações graves - três de violação e dois de abuso sexual de menores - relacionadas com casos em Portugal, ocorridos entre 2000 e 2017. No entanto, foi absolvido por faltas de provas.
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