Dois membros de uma equipa contratada para ajudar a combater os fogos em Washington, nos Estados Unidos, foram detidos na quarta-feira, dia 27 de agosto, por agentes de imigração por, alegadamente, estarem ilegais no país.
A informação é avançada em exclusivo pela NBC News, que falou com o chefe dessa mesma equipa, David Diaz.
No total, estavam 44 membros da empresa no terreno. Vinte eram mexicanos e, segundo Diaz, todos tinham o visto e os documentos de trabalho em dia e legais.
A equipa tinha planeado passar o dia a limpar o terreno à volta do fogo ainda ativo, quando, por volta das 9h (hora local), os seus planos foram interrompidos.
Diaz contou que reconheceu de imediato os jipes pretos que se aproximavam da equipa. Já os tinha visto antes, na semana anterior, no Walmart (uma cadeia de supermercados norte-americana), quando ele e outros colegas estavam a comprar alguns mantimentos.
Na altura, um destes jipes tinha seguido a equipa do supermercado para uma loja de ferragens e, depois, para uma bomba de combustível.
Ao chegarem, os agentes federais detiveram de imediato dois homens, de origem mexicana, que estariam ilegais nos Estados Unidos.
As imagens do momento foram captadas por colegas dos detidos e, posteriormente, publicadas nas redes sociais. Pode vê-las na nossa galeria.
Os restantes membros da equipa passaram as três horas seguintes à espera, enquanto os agentes verificavam a documentação de cada pessoa da empresa presente no local.
Também estas imagens foram captadas e publicadas nas redes sociais. Pode vê-las na publicação abaixo.
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Quanto aos detidos, Diaz disse que nem sequer se conseguiram despedir deles e que só teve tempo de dar um refrigerante a um deles.
"Foi a primeira vez que vi algo assim a acontecer em toda a minha carreira", afirmou Diaz. "Podiam tê-lo feito de uma forma mais humana."
Empresas privadas estavam sob investigação criminal
A detenção, segundo um comunicado, publicado mais tarde, da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, ocorreu após uma investigação criminal a duas empresas privadas que foram contratadas para ajudar a combater os fogos: Table Rock Forestry Inc. e ASI Arden Solutions Inc.
O Departamento de Gestão Territorial, que conduziu a investigação, terá pedido ao serviço de controlo de fronteiras norte-americano para verificar a identidade dos dois detidos. Um deles já teria uma ordem de expulsão anterior no seu cadastro.
O contrato dos dois com a empresa foi terminado, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras, que assegurou que a segurança na zona não tinha sido posta em causa com a detenção.
"A rescisão do contrato e a ação coercitiva não interferiram nas operações de combate a incêndios nem na resposta a quaisquer incêndios ativos na área, nem representaram qualquer perigo para a comunidade vizinha", garantiu a instituição em comunicado.
O governador local, Bob Ferguson, disse, numa publicação nas redes sociais, que estava "profundamente preocupado com esta situação de dois indivíduos que estavam a ajudar a combater os incêndios no estado de Washington".
Washington contrata privados para combater fogos devido a falta de operacionais
Os estados de Washington e do Oregan recisam de contratar empresas privadas para fazer o controlo dos fogos florestais, devido ao decréscimo cada vez maior do número de bombeiros federais.
Ao contrário do que acontece na Califórnia, que investe em recursos estatais para combater os fogos, estes estados escolhem contratar empresas privadas para preencher quaisquer lacunas que possam haver nas equipas de bombeiros.
Um representante do Sindicato Nacional da Federação de Funcionários Federais Steve Gutierrez, considerou que esta escolha deixa mais margem para que aconteçam erros.
Detenções de imigrantes não costumavam acontecer em 'zonas sensíveis'
Já sobre as detenções, o representante disse que a situação é particularmente preocupante, dado que os agentes de imigração, por norma, não operam perto de fogos ativos.
O presidente dos Estados Unidos revogou uma política do seu antecessor que impedia a execução das leis federais nas chamadas ‘zonas sensíveis’, como escolas e igrejas, que também se aplicaria a áreas de desastres naturais, como fogos.
De realçar que o incêndio que a equipa destes dois detidos ajudava a combater estava, na altura, controlado em apenas 13% e já tinha consumido quase quatro mil hectares.
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