Num comunicado de imprensa, Dujarric diz que a cidade de Al-Fashir está sob "um cerco cada vez mais apertado" há mais de 500 dias, com centenas de milhares de civis presos na área.
"Nas últimas semanas, houve bombardeamentos quase contínuos na área e incursões mortais repetidas no campo de deslocados de Abu Shouk, onde foram identificadas condições de fome em dezembro de 2024", declarou.
Desde 11 de agosto, as Nações Unidas documentaram pelo menos 125 civis mortos na área de Al-Fashir, incluindo execuções sumárias, com o número real de mortos provavelmente a ser mais elevado, lamentou.
"O secretário-geral [da ONU] está alarmado com os graves riscos de violações graves do direito internacional humanitário, bem como violações e abusos do direito internacional dos direitos humanos, incluindo os motivados por questões étnicas", como tem sido relatado no Darfur, da região ocidental do Sudão, citou.
Outra questão preocupante são os ataques "repetidos a pessoal e bens humanitários" na região.
Guterres reitera o seu apelo a um cessar-fogo imediato em Al-Fashir e arredores, frisou Dujarric, enquanto o enviado especial do secretário-geral, Ramtane Lamamra, continua "a dialogar com as partes beligerantes".
Al-Fashir está sob cerco dos paramilitares desde abril passado, um cerco que as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) intensificaram este ano após perderem o controlo de Cartum, capital do Sudão, e de várias outras regiões estratégicas do centro e sul do país africano.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou quarta-feira que cerca de 260.000 civis --- dos quais 130.000 crianças --- permanecem presos em Al-Fashir e estão há mais de 16 meses sem assistência básica, desde o início do cerco.
Segundo a Unicef, pelo menos 63 pessoas morreram de desnutrição em apenas uma semana no campo de deslocados de Abu Shouk, nos arredores de Al-Fashir.
A queda de Al-Fashir pode implicar uma divisão territorial no Sudão, especialmente após as RSF e outros grupos políticos e armados aliados terem declarado, em fevereiro, um Governo paralelo com a intenção de obter legitimidade a nível local e internacional e representar uma alternativa ao executivo controlado pelo exército.
A guerra, que eclodiu em 15 de abril de 2023, causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e a deslocação de cerca de 13 milhões, enquanto cerca de metade da população do Sudão - cerca de 25 milhões de pessoas - sofre de "insegurança alimentar aguda", segundo as Nações Unidas.
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