"Já tocamos a possibilidade de acabar com este terrível episódio da nossa história. É já o último esforço", disse a diretora da Proteção Civil espanhola, Virgina Barcones, numa conferência de imprensa em Madrid.
Após três semanas de grandes incêndios no noroeste e no oeste do país, os maiores de que há registo, as autoridades encaram agora o combate às chamas com "esperança e otimismo", acrescentou.
"O final está já muito próximo", disse Barcones.
Espanha tem neste momento 11 incêndios ativos, nove dos quais preocupantes (classificados de nível 2, numa escala que vai de zero a 4).
A responsável espanhola indicou que, pelo terceiro dia consecutivo, a evolução do combate aos fogos é hoje globalmente favorável, por causa da descida das temperaturas e do aumento da humidade relativa.
Há apenas dois incêndios "mais significativos" e cuja evolução continua a ser preocupante, salientou.
Os dois fogos situam-se na região de Castela e Leão, que tem fronteira com Portugal.
As condições meteorológicas na zona dos grandes fogos (norte e oeste) vão manter-se genericamente favoráveis ao controlo e extinção das chamas no sábado, e até melhorar a partir da próxima madrugada, com um abrandamento do vento, que tem causado reacendimentos, disse a diretora da Proteção Civil espanhola.
No entanto, as condições meteorológicas no sudeste de Espanha estão a ser de "risco extremo" para fogos, alertou, dizendo que a preocupação agora é evitar novos focos.
Espanha prevê que durante o fim de semana haja um movimento de cinco milhões de pessoas nas estradas do país, por causa do fim das férias de verão, pelo que Virginia Barcones pediu "especial preocupação" a quem vai viajar e que se informe sobre a situação dos fogos e eventuais estradas ameaçadas ou cortadas.
Os fogos mataram quatro pessoas e já queimaram 400 mil hectares em Espanha em 2025, um recorde anual no país, de acordo com os dados, ainda provisórios, do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), que tem registos comparáveis desde 2006.
O Governo espanhol declarou na terça-feira zonas de catástrofe as áreas afetadas por 113 grandes incêndios no país nos últimos dois meses.
Mais de 35.900 pessoas estiveram já desalojadas por causa dos incêndios nas últimas semanas, 20.200 das quais na região de Castela e Leão, uma das mais afetadas pelos fogos, de acordo com dados oficiais.
As forças de segurança já detiveram 56 pessoas por suspeitas de crimes relacionados com os fogos.
Espanha ativou o mecanismo europeu de proteção civil em 11 de agosto e recebeu ajuda de nove países da UE.
Foi o maior dispositivo de ajuda mobilizado pela UE este ano para um país e o de maior dimensão que Espanha já recebeu, disse o Governo, acrescentando que todos os meios estrangeiros terminam hoje totalmente as operações em território espanhol.
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