Questionado hoje, o Kremlin não negou nem confirmou estas alegações, explicando que não queria divulgar "os detalhes" das discussões.
Moscovo insistia na anexação de cinco regiões - as de Donetsk e Lugansk (leste), que formam o Donbass, que não controla totalmente, além de Kherson e Zaporijia (sul), bem como a Crimeia, conquistada em 2014 - , mas agora os russos "renunciaram a esta exigência", descreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, em entrevista ao canal de televisão TGRT Haber na quinta-feira à noite.
Na mesma entrevista, citada hoje pela agência de notícias France-Presse (AFP), o ministro indicou existir atualmente "um acordo preliminar" sobre a devolução de 25 a 30% da região de Donetsk e a "manutenção das linhas de contacto [nas regiões de] Zaporijia e Kherson.
O exército russo ocupa cerca de um quinto do território ucraniano e exigia que uma retirada completamente da Ucrânia destas cinco regiões como condição prévia para pôr fim ao conflito.
Ancara indicou que, no entanto, a Rússia mudou de posição após a recente cimeira no Alasca entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, em 15 de agosto.
O governante turco não especificou se este "acordo preliminar" foi alcançado entre Moscovo e Washington ou entre Moscovo e Kyiv, que até agora rejeitou categoricamente quaisquer concessões territoriais.
Questionado hoje por jornalistas, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia preferia "não revelar todos os detalhes da conversa entre os dois Presidentes, que ocorreu no Alasca".
As discussões foram "muito construtivas", referiu, no 'briefing' diário, que incluiu a AFP.
Funcionários, que pediram para não ser identificados, já haviam relatado essa aparente inflexão russa.
Apesar do ataque à capital ucraniana na quinta-feira, no qual morreram pelo menos 23 pessoas, Fidan congratulou-se com os progressos na frente diplomática.
O ministro turco reconheceu, no entanto, que será "difícil" para a Ucrânia ceder território, incluindo a vasta região mineira e industrial do Donbass, a parte mais bem defendida da frente composta por cidades-fortaleza e centenas de quilómetros de trincheiras e campos minados.
"Uma vez que este território seja abandonado, o território restante tornar-se-á um pouco difícil de proteger", admitiu Fidan.
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