Wang Yi indicou numa conversa telefónica com Mauro Vieira, na quinta-feira, que "as relações entre a China e o Brasil entraram no seu melhor momento histórico", de acordo com um comunicado divulgado pelo ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
O diplomata chinês assegurou que "a situação internacional atual é complexa e mutável" e que a China está disposta a fortalecer a coordenação com o Brasil "para combater o unilateralismo e a intimidação, proteger os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento e promover a reforma e a melhoria do sistema de governança global", de acordo com o texto.
Por sua vez, Vieira declarou que "o comércio internacional enfrenta uma grande incerteza e o multilateralismo enfrenta sérios desafios", de acordo com o mesmo comunicado.
"O Brasil espera fortalecer a comunicação e a coordenação com a China e as partes interessadas para explorar o apoio ao sistema multilateral de comércio", afirmou Mauro Vieira.
Em 12 de agosto, o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na qual condenou o "protecionismo".
Xi indicou então que "todos os países devem unir-se e opor-se firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo".
O líder chinês afirmou que a China "apoia o povo brasileiro na defesa da soberania nacional e o Brasil na proteção dos direitos e interesses legítimos", embora não se tenha referido explicitamente às tarifas norte-americanas.
Os Estados Unidos estabeleceram em julho uma tarifa, que entrou em vigor este mês, de 10% sobre todos os produtos do Brasil e taxas adicionais de 40% sobre determinados bens, em retaliação à alegada perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta um julgamento por tentativa de golpe de Estados no Supremo Tribunal Federal.
Xi e Lula reuniram-se em maio passado em Pequim, no âmbito da IV Reunião Ministerial China-CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos).
Na ocasião, Lula afirmou que "a China e o Brasil estão decididos a unir-se contra o unilateralismo e o protecionismo" e que os seus líderes "apoiam o comércio justo baseado em regras".
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