Após Trump ter enviado, contra a posição de Newsom, tropas da Guarda Nacional para Los Angeles, e ameaçar agora destacá-las em São Francisco para "limpar" esta cidade californiana, Newsom anunciou na quinta-feira o envio de agentes da Patrulha Rodoviária estadual para combater crimes como o roubo de veículos e o tráfico de droga em Los Angeles, San Diego, regiões do interior e na área da Baía de São Francisco.
Citado pelo site noticioso Politico, Newsom insistiu que o reforço não é "uma reação ou resposta" relacionado com Trump e enfatizou que a mobilização de efetivos pelo estado distingue-se das ações do Presidente, que ignora objeções dos governos locais.
"No que diz respeito ao Presidente em particular, ele está a fazer coisas às pessoas, não pelas pessoas, e este é um ponto de contraste profundo e consequente. Ele está, de facto, a militarizar as cidades americanas", disse Newsom aos jornalistas.
O governo da Califórnia também enviou polícias estaduais para Bakersfield, San Bernardino e Oakland.
Estas forças trabalharão com as autoridades locais, partilhando informações e colocando mais veículos nas ruas para travar o crime, disse o governador.
Num prolongado braço-de-ferro com a Casa Branca, Newsom tem assumido uma postura de governação em contraste com a de Trump, antes de uma provável candidatura presidencial democrata em 2028.
O governador criticou duramente a administração Trump pelas suas táticas de aplicação da lei, e na quarta-feira disse ao Politico que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) trabalham como a "força policial privada" do Presidente.
O responsável da Casa Branca pelas fronteiras, Tom Homan, respondeu qualificando o governador de " uma vergonha".
"Se ele tivesse um pingo de integridade, estaria a ligar ao Presidente Trump e a agradecer-lhe por tornar Los Angeles mais segura", disse Homan.
Trump ordenou o envio de tropas da Guarda Nacional para Los Angeles no início de junho, quando a maior cidade da Califórnia vivia protestos contra os raides anti-imigração do ICE.
O envio inicial incluiu 2.000 soldados da Guarda Nacional, seguindo-se mais 2.000 membros da mesma força e 700 fuzileiros navais, uma unidade de combate de elite, elevando o total para aproximadamente 4.700 efetivos.
Em meados de julho, foram retirados cerca de 2.000 militares da Guarda Nacional, seguindo-se retiradas progressivas que reduziram as tropas na cidade a cerca de 300 em meados de agosto, segundo os media norte-americanos.
A ação de Newsom surge antes de uma decisão num processo movido pela Califórnia contra o governo federal devido ao envio de tropas para Los Angeles.
O governador disse na quinta-feira que uma decisão do Tribunal Distrital do Norte da Califórnia está iminente e deverá ter implicações "profundas" para os planos de Trump de enviar tropas para mais cidades democratas.
Depois de Los Angeles, e também alegando a necessidade de combater a criminalidade, Trump enviou tropas também para as ruas da capital, Washington, DC, e ameaça fazer o mesmo noutras cidades governadas por democratas.
As principais autoridades de Chicago contestaram na quinta-feira o possível envio pelo governo de tropas da Guarda Nacional, enquanto a Casa Branca acentua críticas ao Partido Democrata pela alegada criminalidade na terceira maior cidade norte-americana.
O presidente da câmara, Brandon Johnson, e o governador do estado do Illinois, JB Pritzker, opuseram-se publicamente a uma possível mobilização militar, afirmando que a criminalidade diminuiu em Chicago e que a cidade não quer nem precisa da ajuda federal.
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