De acordo com um vídeo divulgado pelo seu gabinete, o chefe do Governo israelita afirmou que "as discussões estão a decorrer agora, neste preciso momento", discursando perante representantes drusos, uma minoria religiosa esotérica, presente em vários países do Médio Oriente.
Netanyahu confirmou pela primeira vez a existência de conversações envolvendo as novas autoridades sírias que emanaram do golpe militar em dezembro passado contra o regime de Bashar al-Assad, embora não se tenha referido a elas.
"Por enquanto, estamos a concentrar-nos em três coisas: proteger a comunidade drusa na província de Sweida [no sul da Síria], mas não apenas lá, criar uma zona desmilitarizada que se estenda dos Montes Golã até ao sul de Damasco, incluindo Sweida, e estabelecer um corredor humanitário para permitir a entrega de ajuda", elencou o líder israelita.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês confirmou à agência noticiosa France-Presse (AFP) uma reunião em 19 de agosto em Paris entre os chefes das diplomacias de Damasco, Assaad al-Shaibani, e de Telavive, Ron Dermer, sob mediação norte-americana, o segundo encontro neste formato ocorrido na capital francesa.
"Estes esforços fazem parte do nosso apoio ao diálogo e ao estabelecimento de boas relações de vizinhança entre os dois países, um elemento essencial da estabilidade regional", afirmou o ministério francês.
Israel e Síria estão tecnicamente em estado de guerra há décadas, mas as novas autoridades de Damasco têm insistido que não pretendem um conflito com o país vizinho.
A agência oficial síria SANA noticiou a reunião de Paris como uma oportunidade para discutir "questões relacionadas com o reforço da estabilidade na região e no sul da Síria".
Durante a operação relâmpago que levou em dezembro à queda do ex-presidente Bashar al-Assad, apoiado pelo Irão, e que conduziu uma coligação armada rebelde ao poder na Síria, Israel bombardeou intensivamente alvos alegadamente das forças afetas ao antigo regime e as suas tropas cruzaram a "zona-tampão" já existente entre os dois países.
No seguimento de graves episódios de violência sectária que ocorreram desde então na Síria, envolvendo elementos da minoria alauita, a que pertencia a elite do regime deposto, e os militares das novas forças armadas e ainda os drusos, Israel partiu em apoio militar desta última comunidade.
Os drusos estão sobretudo presentes na Síria, no Líbano e também em Israel, além de outros países da região.
Uma zona desmilitarizada supervisionada pela ONU foi criada em 1974 na divisão da Síria e Israel, que, no final do ano passado, lançou, a partir dos Montes Golã ocupados, as suas forças terrestres para ocuparem posições além da linha de demarcação, à semelhança do que já acontecera no vizinho Líbano.
O Qatar e o Egito consideraram hoje que as ações de Israel na Síria e no Líbano são irresponsáveis e colocam em perigo toda a região.
Em conferência de imprensa conjunta, após se reunirem na cidade egípcia de El-Alamein, o chefe do Governo e da diplomacia de Doha, Mohammed bin Abdul Rahman al-Thani, e o homólogo do Cairo, Badr Abdelatti, lamentaram que Israel "continua a atacar o sul do Líbano diariamente", apesar do cessar-fogo em vigor, e que o mesmo se passa na Síria.
"As operações israelitas também se tornaram mais frequentes e violentas na Síria", observaram os governantes dos dois países, que são igualmente mediadores do conflito que opõe Israel ao grupo islamita palestiniano Hamas desde 07 de outubro de 2023 na Faixa de Gaza.
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