Segundo detalhou à imprensa local, na noite de quarta-feira, um dos patologistas do Governo, Richard Njoroge, os coveiros e peritos forenses abriram quatro sepulturas durante o dia e também encontraram espalhados pela zona mais partes de corpos, como crânios, mãos ou pernas.
"Também recolhemos muitos restos humanos espalhados ao redor do perímetro das sepulturas. Estes também serão processados por meio de [testes de] ADN para determinar se coincidem com algum dos corpos que recolhemos", disse Njoroge.
As exumações das sepulturas, muito pouco profundas, estão a ocorrer na localidade de Kwa Binzaro, situada na extensa propriedade florestal de Chakama, no condado de Kilifi.
O comissário do Governo em Kilifi, Josephat Biwott, afirmou que as autoridades "conversaram com as pessoas para reforçar a vigilância comunitária" contra as atividades da seita.
A Unidade de Homicídios da Direção de Investigações Criminais (DCI, na sigla em inglês) identificou, até o momento, 27 possíveis valas comuns, 20 das quais já foram abertas.
As investigações preliminares apontam que estes factos estão ligados ao chamado "massacre de Shakahola", em referência ao nome da floresta também situada em Chakama, onde os seguidores de uma seita, incluindo muitas crianças, jejuaram até à morte "para se encontrarem com Jesus Cristo" depois de serem convencidos pelo seu líder, Paul Mackenzie.
Assim, as autoridades acreditam que algumas das vítimas que sobreviveram a essa tragédia não foram totalmente aceites pelas suas famílias ou comunidades quando regressaram, o que as levou a voltar à zona, mas desta vez ainda mais para o interior da floresta.
Até agora, 11 suspeitos foram detidos em relação às descobertas em Kwa Binzaro, incluindo a mulher que comprou o terreno onde as vítimas foram enterradas, embora os proprietários da quinta de Chakama tenham negado que tenham sido eles que lhe venderam o terreno.
Entretanto, continuam a decorrer nos tribunais diferentes julgamentos contra Mackenzie, detido em 14 de abril de 2023.
O líder da seita enfrenta, juntamente com os seus co-arguidos, acusações de terrorismo, assassínio de 191 crianças e homicídio involuntário de pelo menos 238 pessoas.
As autópsias realizadas após a descoberta dos corpos em valas comuns em Shakahola revelaram que, além dos sinais de uma fraqueza extrema por má alimentação em todos os cadáveres, alguns também apresentavam sinais de estrangulamento e asfixia.
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