De acordo com a Polícia Federal brasileira, foram realizadas três ações simultâneas, numa operação que é considerada pelo Ministério da Fazenda como a maior já realizada contra o crime organizado na história do Brasil, e que teve como alvo diversos elos da cadeia de distribuição de combustíveis, além da ocultação dos lucros obtidos por meio de instituições financeiras digitais.
Os agentes relataram que já houve o bloqueio de 1,2 mil milhões de reais (190 milhões de euros) de 41 pessoas e 251 empresas suspeitas de envolvimento em esquemas de branqueamento de capitais.
Foram emitidos 14 mandados de detenção e seis suspeitos foram capturados.
A Receita Federal brasileira informou que identificou ao menos 40 fundos de investimentos (multimercado e imobiliários) sob controlo do PCC com cerca de 30 mil milhões de reais (4,7 mil milhões de euros), o maior grupo criminoso do Brasil.
O órgão relatou também que o PCC terá usado mais de mil postos de abastecimento combustíveis para movimentar 52 mil milhões de reais (8,2 mil milhões de euros) entre 2020 e 2024 para o grupo criminoso brasileiro.
Já o Ministério da Fazenda indicou numa outra nota que distribuidoras e postos de combustíveis participantes do esquema investigado, localizados em dez estados do país, sonegaram reiteradamente impostos sobre suas operações de vendas, pois seus recolhimentos eram "incompatíveis" com seu nível de atividade.
Além disso, a Polícia Federal relatou que descobriu que os criminosos adulteraram a gasolina vendida com metanol, que supostamente era importada para outros fins.
Os lucros com estas operações eram então canalizados por meio de instituições financeiras digitais ou 'fintechs', uma das quais atuava como um "banco paralelo" para a organização criminosa.
Segundo os investigadores, o uso de 'fintechs' em vez de bancos tradicionais procurou explorar brechas na regulamentação dessas entidades que dificultam rastrear a origem dos recursos.
Essas plataformas, por sua vez, reinvestiram o dinheiro em negócios e imóveis, incluindo um terminal portuário, quatro fábricas de álcool, 1.600 camiões de transporte de combustível e mais de 100 propriedades, incluindo seis fazendas e uma luxuosa residência de praia.
As autoridades locais relataram que há indícios de que os gestores dos fundos estavam cientes da natureza ilícita do dinheiro movimentado nos fundos investidos.
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra 350 alvos em oito estados, enquanto a Justiça determinou o bloqueio de bens dos envolvidos, incluindo imóveis e viaturas.
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