"Um grupo de guerrilheiros descerá das montanhas e despedir-se-á das suas armas, num esforço para declarar a sua boa vontade para com a paz e a política democrática", declarou o PKK num comunicado.
A cerimónia, que deverá ter lugar entre 10 e 12 de julho na cidade de Sulaymaniyah, na região curda semi-autónoma do norte do Iraque, será o primeiro passo concreto para o desarmamento num conflito que se estende há mais de quatro décadas e que causou mais de 40.000 mortos.
Zagros Hiwa, porta-voz do PKK, disse que os combatentes destruirão as suas armas "sob a supervisão das instituições da sociedade civil e das partes interessadas".
O Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, anunciou em maio que iria dissolver-se e renunciar ao conflito armado. A medida foi tomada depois de o líder do PKK, Abdullah Ocalan, preso numa ilha perto de Istambul desde 1999, ter instado o seu grupo, em fevereiro, a convocar um congresso e a dissolver-se e desarmar-se formalmente.
Para que o PKK possa dar novos passos no sentido do desarmamento, "o regime de isolamento" imposto a Ocalan na prisão "tem de ser abolido" e devem ser tomadas medidas "constitucionais, legais e políticas" para "garantir que os guerrilheiros que abandonaram a estratégia da luta armada possam ser reintegrados na política democrática da Turquia", de acordo com Zagros Hiwa.
O número de combatentes que irão participar ainda não foi determinado, mas poderá situar-se entre os 20 e os 30, afirmou ainda o porta-voz.
Na Turquia, na segunda-feira, Omer Celik, porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento do Presidente Recep Tayyip Erdogan, disse que o PKK poderia começar a entregar armas "dentro de dias", mas não forneceu pormenores.
Celik acrescentou que Erdogan se reuniria com membros do partido pró-curdo na próxima semana para discutir o esforço de paz.
O Governo turco não fez qualquer declaração imediata sobre o anúncio de hoje.
Alguns analistas e opositores receiam que Erdogan queira manter-se no poder, apesar de não se poder recandidatar, uma vez que procura redigir uma nova Constituição.
O recente esforço do Governo turco para terminar o conflito de décadas com o PKK, de acordo com os mesmos analistas, pode fazer parte da estratégia para ganhar o apoio de um partido pró-curdo no Parlamento e obter a maioria necessária para aprovar uma nova Constituição.
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