Angolanos em Roma pedem Papa tradicionalista e nomeação de cardeal

Dois diáconos angolanos que estudam em Roma juntaram-se hoje aos fiéis na Praça de São Pedro para assistir ao início do Conclave, na esperança de um novo Papa que respeite a tradição, mas também que o país volte a ter um cardeal.

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© <span style="white-space: pre;">Mario Tama/Getty Images</span>

Lusa
07/05/2025 15:52 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Conclave

Estudantes de mestrado em direito canónico na Pontifícia Universidade Urbaniana há seis anos, Arsénio Messias e Daniel dos Santos elogiam o trabalho de Francisco e pedem um sucessor que assegure a coesão da Igreja, considerando que é possível responder aos desafios do mundo atual e manter o respeito da tradição.

 

Francisco "foi um Papa muito próximo do povo, sobretudo dos que estão mais nas margens do mundo atual", procurando "ir ao encontro das ovelhas", afirmou à Lusa Arsénio Messias, 31 anos.

Quanto ao seu sucessor, Arsénio Messias espera que "seja um Papa mais próximo ao Povo como o Papa Francisco foi e que seja um Papa que mantenha a unidade da Igreja e a santa tradição".

Sobre o conflito entre progressistas e conservadores, com estes últimos a ser predominantes em muitos países africanos, Arsénio Messias prefere pôr-se à margem, considerando que é "possível conciliar" as duas tendências, "se for um Papa equilibrado que consiga equilibrar a tradição e o contexto atual".

Já Daniel dos Santos, 27 anos, prefere recordar Francisco como um exemplo de voluntarismo e de vontade em ir ao encontro das "gentes e dos povos", numa "Igreja em saída e a sair dos seus gabinetes".

Durante o Conclave, que tem início hoje, Daniel dos Santos espera que os cardeais elejam alguém que "siga o coração de Deus e as expectativas da humanidade de hoje".

"Não nos importa tanto o continente ou o país da sua origem, mas que seja um bispo para a Igreja de Roma e um bispo para a Igreja universal", afirmou, esperando que o novo líder da Igreja traga também novidades pastorais.

"Haverá continuidade do Papa Francisco, mas haverá mudanças e haverá passos para a frente", mas "passos no sentido de continuidade que é a tradição da Igreja Católica", acrescentou Daniel dos Santos.

Muitos conservadores têm defendido o regresso à política da "hermenêutica da continuidade" na interpretação do Concílio Vaticano II, um encontro dos anos 1960 que propôs mudanças estruturais na Igreja para a adaptar ao mundo atual.

Ao contrário de outros conclaves, Angola não possui nenhum cardeal eleito, tendo sido o último Alexandre do Nascimento.

Francisco diversificou a criação de cardeais durante o seu pontificado, mas a Igreja angolana não recebeu qualquer nomeação.

Daniel dos Santos admitiu à Lusa que esse é também um dos seus desejos para o novo pontificado: "Nós esperamos voltar a ter um representante perante a cúria romana e, quiçá, que o novo Papa possa criar um cardeal angolano".

Arsénio Messias está menos preocupado com a existência de um cardeal angolano.

"Se tivermos um cardeal em Angola é um orgulho, porque sou angolano, mas se não tivermos ninguém não será um problema e não deixo de manter a fé cristã", disse, recordando que o "cardinalato é uma dignidade que o Papa livremente pode conferir a alguém".

Hoje tem início o Conclave, que junta 133 eleitores de 70 países e, para conseguir uma vitória, o nome escolhido terá de obter 89 votos do colégio eleitoral.

Serão feitas, a partir de quinta-feira, quatro votações diárias, duas de manhã e duas de tarde. Ao final de cada conjunto de votações, os boletins serão queimados e serão adicionados químicos para garantir que o fumo seja negro, no caso de uma votação não conclusiva, ou branco, no caso de uma votação que eleja o 267.º líder da Igreja Católica.

Ao longo do pontificado, o jesuíta argentino tentou promover a discussão interna, a partir das bases, sobre que mudanças executar na Igreja.

Temas polémicos como padres casados, o acesso das mulheres ao diaconado permanente, o regresso dos divorciados, o tratamento a dar aos homossexuais e a relação da Igreja com outras religiões são parte dessa discussão interna, que partiu de movimentos de leigos, denominada Processo Sinodal.

Depois da eleição e do fumo branco, o novo Papa irá escolher o seu nome e será apresentado aos fiéis presentes na Praça de São Pedro.

Nessa ocasião, o Conclave termina e os cardeais deixam a Casa de Santa Marta. Só dias depois, como é tradição na Igreja Católica, é que o novo Papa irá presidir à sua missa de início de Pontificado.

Leia Também: Cardeal esvaziou minibar da Casa de Santa Marta... e recebeu fatura

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