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Inquérito internacional acusa Israel por ataque à sede da AFP em Gaza

Uma investigação realizada por um consórcio de 'media' internacionais hoje divulgada atribuiu ao exército israelita o ataque de 02 de novembro de 2023 contra a sede da France-Presse na Faixa de Gaza.

Inquérito internacional acusa Israel por ataque à sede da AFP em Gaza
Notícias ao Minuto

11:57 - 25/06/24 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

O ataque com um carro de combate, lembrou a agência noticiosa EupoliticaropaPress, terminou sem vítimas porque todas as pessoas foram entretanto retiradas com antecedência.

A investigação foi levada a cabo pela France-Presse e por outros meios de comunicação social internacionais, liderado pela Forbidden Stories (Notícias Proibidas), e inclui a pesquisa de imagens de uma câmara instalada no terraço do escritório, que sofreu graves danos materiais, bem como as do rescaldo do ataque e imagens de satélite.

O ataque, realizado menos de um mês após o início da ofensiva militar israelita contra Gaza, na sequência dos atentados de 07 de outubro perpetrados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), foi concretizado com um projétil de um tanque, uma arma que só Israel possui no contexto do conflito no enclave palestiniano.

O exército israelita declarou na altura que o edifício, situado no bairro de Rimal, na cidade de Gaza, não tinha sido atacado "de forma alguma", mas mais tarde afirmou que o incidente estava a ser investigado, não tendo ainda publicado os resultados das suas averiguações.

A equipa da AFP tinha sido retirada do local a 13 de outubro, na sequência do pedido de Israel para que todos os civis abandonassem a cidade, mas a câmara instalada na varanda do décimo andar continuou a gravar, chegando mesmo a transmitir em direto o ataque por volta do meio-dia de 02 de novembro. Uma segunda câmara, instalada num andar abaixo, continuou a gravar depois do acontecimento.

O Forbidden Stories também afirmou durante o dia que os militares israelitas estavam a utilizar 'drones' (aeronaves não tripuladas) para realizar ataques contra jornalistas e a empregar "múltiplos sistemas de inteligência artificial para gerar alvos", incluindo o "Lavender", "utilizado para criar uma lista de morte de mais de 37.000 pessoas".

Khalil Dewan, advogado e investigador sobre a guerra dos 'drones', afirmou que o exército israelita "ataca alvos com um elevado grau de conhecimento sobre quem está a matar".

"Na guerra dos drones, os telemóveis, os cartões SIM, a utilização de certas aplicações das redes sociais com localização ativada e as transmissões em direto expõem uma pessoa ao mapeamento de alvos", explicou, afirmando que "os 'drones' operam num ecossistema de sinais de inteligência e infraestruturas de comunicação".

Cerca de 50 jornalistas de 13 organizações de comunicação social de todo o mundo estão a trabalhar no projeto de Gaza, que também cobre as operações de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

"É a nossa forma de dar nova vida a histórias que lhes custaram a vida e a liberdade. Matar jornalistas não vai acabar com a história", afirmou Forbidden Stories.

O exército israelita lançou a sua ofensiva contra a Faixa de Gaza na sequência dos referidos atentados de 07 de outubro, que causaram cerca de 1.200 mortos e levaram ao sequestro de quase 240 pessoas.

Desde então, as autoridades de Gaza, controladas pelo grupo islamita, registaram mais de 37.600 mortos, a que se juntam mais de 520 palestinianos mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental pelas forças israelitas ou em ataques de colonos.

Leia Também: Israel passa a poder recrutar ultraortodoxos judeus para o seu exército

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