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Sul-africanos no norte de Joanesburgo votam com esperança em mudanças

Melissa Brouard, uma professora de Inglês de 38 anos, natural de Durban, e o marido, um cientista agrícola da província do Cabo Ocidental, emigrados há 18 meses na Austrália, chegaram esta manhã a tempo de votar em Douglasdale, norte de Joanesburgo.

Notícias ao Minuto

18:43 - 29/05/24 por Lusa

Mundo África do Sul

"Sabemos que são eleições muito importantes para a África do Sul, também acredito que todas as eleições são importantes, no entanto o país precisa de uma mudança. Aacreditamos num resultado positivo das eleições para que no futuro se quisermos voltar para a África do Sul, podemos, porque esta sempre será a nossa casa".

Com um filho de dois anos e meio, nascido em Joanesburgo, Melissa salientou que o casal emigrou por motivos de natureza política e económica, sublinhando que a África do Sul "tem de mudar para melhor", após três décadas de governação monopartidária.

"Para nós não se tratava tanto de segurança, como para muitas pessoas, para nós são razões políticas e económicas, amamos a África do Sul e será sempre a nossa casa, por isso adoraríamos que o país pudesse mudar para melhor e então poderemos voltar e morar aqui", salientam.

Havi Naidoo, de 43 anos, votou igualmente pela "mudança" na escola secundária St. Sthitians, em Peter Vale, também no norte de Joanesburgo.

"Espero ver alguma esperança, talvez algumas mudanças, votei a favor da mudança, atravessamos momentos emocionantes, estamos ansiosos por isso, mas vamos esperar para ver", declarou à Lusa este técnico de informática natural do KwaZulu-Natal, residente em Joanesburgo.

"Espero ver grandes mudanças, mudança de liderança, por isso, espero que seja este o momento em que veremos uma mudança dos partidos no poder", afirmou.

Todavia, a esposa Taren, de 40 anos, considerou que alternativa de poder nos próximos cinco anos acontecerá através de uma coligação: "Também espero por mudanças, mudança no partido no poder, tenho a certeza que será um Governo de coligação, e espero que seja na forma como votamos, porque para mim a única coisa que é muito importante é garantir o crescimento da nossa economia, que a moeda rand seja mais forte, e ver alguma diminuição na corrupção que temos dentro do país",

"Na verdade, o crescimento da economia diminuirá a pobreza, julgo que o número de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza é muito chocante e muito triste, por isso espero que a nova liderança traga esse fim, e se isso não acontecer, acho que também cabe a nós, cidadãos sul-africanos, alterar os nossos comportamentos e a maneira como vemos as coisas para ajudar", sublinhou à Lusa.

Sikelela Mvakwendlu, de 34 anos, decidiu sair da localidade rural de Matatiele, a cerca de 300 quilómetros da cidade de Umtata, no Cabo Oriental, a província natal do primeiro presidente negro do país e líder histórico Nelson Mandela, para trabalhar em Gauteng, também como técnico de informática. Hoje votou na Bryanston High, no subúrbio residencial de Bryanston, onde reside, no norte da capital económica da África do Sul.

"Esperamos ver mudança, esperamos ver as coisas a melhorar no país, novas pessoas talvez a terem a oportunidade de liderar e que possamos ver uma mudança", frisou à Lusa.

"A corrupção é o maior problema, está a fazer regredir o país, se não fosse a corrupção acho que estaríamos muito à frente agora", apontou Sikelela, salientando que "um Governo de coligação seria a melhor solução nesta altura porque os governantes poderiam ser responsabilizados; uma coligação multipartidária traria mais estabilidade".

"Mudança, acho que todo o voto é pela mudança", declarou à Lusa, por seu lado, Ayanda Mackay, de 38 anos, à saída da mesa de voto na escola Bryanston High, onde a fila serpenteava por mais de 300 metros até ao portão de entrada no recinto no final da tarde de hoje.

Esta profissional de Marketing, natural do Soweto e residente no norte da capital económica, Joanesburgo, destacou como prioridades o "combate ao crime que é demasiado elevado, melhores condições de vida, segurança no emprego e abertura dos (...) mercados para que as pessoas possam criar as próprias empresas e os próprios empregos".

"Pessoalmente, dei ao ANC todas as oportunidades justas que pude, por isso penso que por agora estou à procura de outros que possam fazer melhor", afirmou à Lusa.

Cerca de 28 milhões de eleitores registados escolhem hoje, num escrutínio imprevisível, que se perspetiva como histórico, entre 52 partidos, para eleger um novo parlamento com 400 deputados, assim como as assembleias provinciais e regionais das nove províncias do país, em três boletins de voto.

A nível nacional, o ANC detém atualmente 230 dos 400 assentos parlamentares (57,50%), enquanto o DA e a EFF têm 84 e 44 lugares, respetivamente.

As eleições gerais na África do Sul assinalam as primeiras três décadas de democracia sob a governação do ANC de Nelson Mandela após a queda do anterior regime de 'apartheid' em 1994.

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