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Alto representante para Bósnia denuncia homenagem a criminoso de guerra

 O alto representante internacional para a Bósnia-Herzegovina, Christian Schmidt, considerou hoje "inaceitável" a glorificação pelas autoridades civis e militares do criminoso de guerra condenado Ratko Mladic e alertou que tal é punível pelo Código Penal do país.

Alto representante para Bósnia denuncia homenagem a criminoso de guerra
Notícias ao Minuto

19:39 - 15/05/24 por Lusa

Mundo Bósnia

No debate semestral sobre a Bósnia-Herzegovina do Conselho de Segurança da ONU, Schmidt fez alusão ao alegado episódio em que alguns dos mais altos oficiais militares da Bósnia-Herzegovina - incluindo o vice-ministro da Defesa, Aleksandar Goganovic, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Gojko Knezevic, entre outros militares, e membros das Forças Armadas da República Srpska - causaram polémica após se curvarem e prestarem homenagem em frente ao monumento de Ratko Mladic, um criminoso de guerra condenado.

"Infelizmente, alguns dos principais oficiais militares da Bósnia-Herzegovina  (...) causaram o escândalo (...) ao prestar homenagem em frente ao monumento de um criminoso de guerra condenado em Haia. O evento ocorreu ontem (terça-feira) em Kalinovik, local de nascimento do criminoso de guerra Ratko Mladic, como pode ser visto em fotografias", disse o alto representante.

"Temos de verificar e provar isso, mas se for esse o caso, trata-se de uma grave violação (...) do direito penal na Bósnia-Herzegovina, e não há forma de aceitar isto, em qualquer caso, porque estão apenas a glorificar criminosos de guerra, o que é inaceitável", frisou.

As fotografias da polémica homenagem foram partilhadas na página do vice-ministro da Defesa da Bósnia-Herzegovina, Aleksandar Goganovic, na rede social Facebook.

Contudo, horas mais tarde, Goganovic classificou as acusações de "disseminação maliciosa de desinformação".

Mladic foi condenado a prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra durante o conflito dos Balcãs, há mais de duas décadas.

Após a guerra civil, que terminou em 1995, a Bósnia-Herzegovina foi organizada em duas entidades altamente autónomas, uma para os sérvios (República Srpska) e outra para os croatas e muçulmanos, no seio de um Estado central.

Na reunião de hoje do Conselho de Segurança, Christian Schmidt alertou ainda o corpo diplomático que as autoridades da República Srpska, lideradas por Milorad Dodik, "estão a contribuir de forma severa para uma grave violação do Acordo de Dayton", frisando que a "agenda anti-Dayton" pode levar "à secessão de facto" da entidade sérvia e "trazer consequências graves para a Bósnia e toda a região".

"Nós, na comunidade internacional, devemos acompanhar o que está a acontecer e, se necessário, agir em conjunto. A situação de segurança não pode ser considerada instável, mas sim frágil e pode deteriorar-se rapidamente", frisou.

No mês passado, Milorad Dodik já havia anunciado que a Republika Srpska se irá separar em breve da Bósnia-Herzegovina, afirmando que os sérvios não querem partilhar "nem o ar" com os bósnios (muçulmanos).

O líder pró-russo chegou mesmo a ameaçar separar a entidade sérvia com "uma Grande Muralha da China" se a Assembleia-Geral das Nações Unidas adotar uma resolução que assinala o genocídio cometido em 1995 pelas tropas sérvias da Bósnia contra a população muçulmana da cidade de Srebrenica.

A resolução propõe que o dia 11 de julho seja declarado "Dia Internacional da Memória do Genocídio cometido em Srebrenica em 1995" e condena a negação do genocídio e a glorificação dos criminosos de guerra.

Leia Também: Presidente da Republika Srpska anuncia saída da Bósnia-Herzegovina

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