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Ucrânia e Israel colocam temas globais entre preocupações nos EUA

A guerra na Ucrânia e o conflito Israel-Hamas empurraram a política internacional para o topo das preocupações dos eleitores norte-americanos, com uma subida invulgar de 15 pontos percentuais nos últimos seis meses. 

Ucrânia e Israel colocam temas globais entre preocupações nos EUA
Notícias ao Minuto

21:40 - 24/04/24 por Lusa

Mundo EUA

Os assuntos internacionais dispararam de 36% para 51% como um dos principais temas que irão influenciar o sentido de voto nas presidenciais de novembro, segundo dados revelados hoje pela Morning Consult durante um evento sobre as tendências do eleitorado.

"É impressionante ver quão elevada está a classificação dos assuntos internacionais desta vez", disse o analista político Eli Yokley. "A Ucrânia e Israel aparecem como tema de topo para quatro em cada dez eleitores". 

Entre outubro de 2023 e março de 2024, a guerra na Ucrânia passou de 33% para 41% como um dos temas principais na mente dos eleitores. Ainda assim, o analista da Morning Consult referiu que o conflito Israel-Hamas irá ter mais influência, prevendo-se que pese no entusiasmo da base democrata, em especial nos mais novos. 

"Os eleitores jovens vão ser um grande problema para o Presidente se decidirem aparecer no dia das eleições e votarem em Trump", disse Eli Yokley, citando os recentes protestos em campus universitários contra a política de Biden em relação a Israel. 

"Se não forem e não apoiarem ninguém, Biden terá uma oportunidade de reeleição dado o apoio que tem junto dos eleitores mais velhos", continuou. "A sua campanha está a levar isto muito a sério". 

A saliência da política internacional, tradicionalmente menos importante nas eleições nos EUA do que a economia ou questões sociais, aumentou com a aprovação no Congresso de um pacote de ajuda na ordem dos 95,3 mil milhões de dólares para a Ucrânia, Israel e Taiwan, que o presidente Joe Biden assinou hoje. 

"Os assuntos internacionais estão a ter um espaço invulgar na cobertura mediática", frisou o analista Cameron Easley, salientando que a histórica importância da situação económica será menor nestas eleições. 

"Nos últimos três ciclos eleitorais, vimos que as atitudes em relação ao estado da economia têm tido menor correlação com os resultados", explicou o especialista. "Há um argumento claro de que, embora a economia ainda seja importante, devido à crescente divisão partidária importa menos que antes". 

Easley notou que houve também um grande aumento de preocupação em relação à imigração, que passou de 50% para 65%, e até segurança nacional, que passou de 62% para 71%. 

Os analistas salientaram que a perceção da importância destes temas está ligada às características a que associam os dois candidatos e à sua capacidade de os resolver. 

No caso de Joe Biden, o bom desempenho no discurso do Estado da União operou uma transformação de perceções. Embora o eleitorado considere que ele é demasiado velho, aos 81 anos, essa percentagem desceu (de 70% para 67%) e a opinião sobre o bom estado de saúde melhorou (de 36% para 39%). 

Já com Donald Trump, tem havido uma melhoria da opinião sobre a sua capacidade de liderança (de 51% para 53%), acuidade mental (48% para 49%) e até honestidade (41% para 42%), apesar dos casos criminais em que está envolvido. 

"Esta eleição será criminalidade versus senilidade", resumiu Eli Yokley. "É sobre se as pessoas pensam que Trump é demasiado criminoso ou Biden é demasiado velho". O analista frisou que o resultado será decidido nas margens, mas que para o eleitorado geral os traços de personalidade vão ser decisivos. 

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