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Espanha prescinde de "pré-condições" no reconhecimento da Palestina

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, indicou hoje que o país prescindirá de estabelecer pré-condições, como o reconhecimento de Israel pelos países árabes, no reconhecimento do Estado da Palestina, que deverá concretizar-se até julho.

Espanha prescinde de "pré-condições" no reconhecimento da Palestina
Notícias ao Minuto

18:50 - 03/04/24 por Lusa

Mundo Espanha

"Ainda não há uma data específica, mas com certeza que vai ser antes de julho, o momento certo é este", disse Albares sobre o reconhecimento do Estado da Palestina, num encontro com alguns jornalistas em Bruxelas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros acrescentou que "é uma posição sem pré-condições" e que Espanha não vai exigir, por exemplo, o reconhecimento do Estado de Israel pelos países árabes.

"Isto não é um ato político isolado, neste contexto extremamente violento precisamos de fazer algo para impedir que a violência continue", completou, sustentando que reconhecer a Palestina também é benéfico para a própria segurança de Israel e para "prevenir atentados como os perpetrados pelo grupo terrorista Hamas".

O ministro insistiu na necessidade de um "cessar-fogo imediato" e criticou que até hoje tenham morrido pelo menos 32.000 palestinianos na ofensiva israelita.

Em simultâneo, Espanha "triplicou o apoio à Autoridade Palestiniana" nos últimos meses, avançou José Manuel Albares.

"Um verdadeiro Estado palestiniano só existe quando silenciarem as armas", comentou.

Fontes diplomáticas revelaram posteriormente à Lusa que estão em curso discussões bilaterais para que mais países da União Europeia reconheçam o Estado da Palestina.

Esta posição já é publicamente defendida por Espanha, Irlanda e Eslovénia e a perspetiva é de que até julho haja mais países do bloco comunitário a reconhecer o Estado da Palestina.

As mesmas fontes consideraram que pode estar para breve uma resolução nas Nações Unidas neste sentido e se há uns meses havia poucos países a criticar publicamente Israel pela maneira como levou a cabo as operações militares na Faixa de Gaza, hoje a perspetiva é a mais favorável para reconhecer a Palestina.

Apesar de não haver pré-condições, fontes diplomáticas admitiram que em qualquer circunstância o movimento islamita Hamas não pode fazer parte da equação.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou na terça-feira que Espanha prevê reconhecer o Estado palestiniano até julho, esperando novidades relacionadas sobre este assunto nos próximos meses, no âmbito de instâncias como as Nações Unidas, que poderão levar vários países a fazer o mesmo.

Israel iniciou uma ofensiva militar no enclave palestiniano da Faixa de Gaza em outubro de 2023 na sequência de um atentado do Hamas, perpetrado no dia 07 desse mês.

A intervenção militar foi inicialmente justificada com a necessidade de erradicar aquela organização considerada terrorista por Telavive e até pela União Europeia, e reforçar a segurança de Israel.

Mas vários países, organizações não-governamentais e as Nações Unidas criticaram a maneira que consideraram ser desproporcionada como Israel conduziu as operações.

Telavive foi acusada de desrespeitar a lei humanitária internacional, bombardeando a população indiscriminadamente, impedindo o acesso a ajuda humanitária e dando pouco tempo para os palestinianos se deslocarem pelo território depois de anunciarem mais uma incursão.

Internamente, o Governo de Benjamin Netanyahu, apoiado por partidos de direita e de extrema-direita, está a ser pressionado pela população, que por um lado critica a falta de empenho para resgatar os reféns israelitas, por outro também condena as ações dos militares.

Em simultâneo, aumentou a violência de colonos israelitas na Cisjordânia.

A África do Sul avançou com uma acusação pelo crime de genocídio no Tribunal Internacional de Justiça contra Israel.

[Notícia atualizada às 20h15]

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