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Ministro israelita Benny Gantz pede eleições nacionais em setembro

Gantz perfila-se como um possível sucessor a Benjamin Netanyahu no cargo de primeiro-ministro.

Ministro israelita Benny Gantz pede eleições nacionais em setembro
Notícias ao Minuto

18:49 - 03/04/24 por Notícias ao Minuto com Lusa

Mundo Israel/Palestina

O ministro israelita Benny Gantz pediu, esta quarta-feira, que sejam realizadas eleições nacionais em Israel já em setembro, quando se aproxima o primeiro aniversário do ataque de 7 de Outubro do Hamas.

Citado pela agência Al Jazeera e pelo jornal The Times of Israel, Gantz disse que se deve "acordar uma data para as eleições em setembro, perto do primeiro ano da guerra, se acharem por bem".

"Definir tal data permitirá continuar o esforço militar ao mesmo tempo que se envia um sinal aos cidadãos de Israel que iremos renovar a sua confiança em nós", continuou o ministro sem pasta.

Gantz assegurou também que já discutiu o assunto com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O seu apelo surge após dias de protestos em massa contra o Governo, tanto em Telavive como em Jerusalém, onde ativistas, israelitas comuns e familiares dos 130 reféns ainda em cativeiro em Gaza - segundo dados das autoridades israelitas - se juntaram pela primeira vez para exigir responsabilização.

Gantz afirmou também que abordou o assunto com o primeiro-ministro, mas que o seu apelo para a realização de eleições não foi bem recebido no partido Likud, do dirigente hebreu, que reiterou que não haverá idas às urnas enquanto não estiver terminada a guerra na Faixa de Gaza.

"Eleições agora levariam inevitavelmente a paralisia, a divisão, a perdas nos combates em Rafah e prejuízos fatais para a possibilidade de um acordo sobre os reféns", argumentou um porta-voz do Likud num comunicado, no qual acusou Benny Gantz de "política mesquinha".

Nas ruas, contudo, aumenta o número daqueles que criticam Netanyahu por não ter alcançado um segundo acordo para a libertação de reféns, desde o primeiro e único cessar-fogo, em finais de novembro, e o acusam de estar mais preocupado com a sua própria sobrevivência política.

Por seu lado, o líder da oposição, Yair Lapid, foi ainda mais contundente, afirmando no plenário do Knesset, o parlamento, em Jerusalém, que "em nenhum outro país do mundo o Governo teria permanecido no poder a 08 de outubro".

Quanto ao apelo de Gantz, o líder da oposição respondeu na rede social X (antigo Twitter), dizendo que Israel não pode esperar mais seis meses até que "o pior, mais perigoso e falhado Governo da história do país regresse a casa".

Segundo Lapid, só com a saída de Netanyahu do poder é que os deslocados das zonas fronteiriças, tanto no sul, junto à vedação com a Faixa de Gaza, como no norte, devido aos confrontos com o Hezbollah no Líbano, poderão regressar a casa.

A 07 de outubro do ano passado, combatentes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) -- desde 2007 no poder na Faixa de Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel -- realizaram em território israelita um ataque de proporções sem precedentes desde a criação do Estado de Israel, em 1948, fazendo 1.163 mortos, na maioria civis, e 250 reféns, cerca de 130 dos quais permanecem em cativeiro e 34 terão entretanto morrido, segundo o mais recente balanço das autoridades israelitas.

Em retaliação, Israel declarou uma guerra para "erradicar" o Hamas, que começou por cortes ao abastecimento de comida, água, eletricidade e combustível na Faixa de Gaza e bombardeamentos diários, seguidos de uma ofensiva terrestre ao norte do território, que depois se estendeu ao sul, estando agora iminente uma ofensiva à cidade meridional de Rafah, onde se concentra mais de um milhão de deslocados.

A guerra entre Israel e o Hamas, que hoje entrou no 180.º dia e continua a ameaçar alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza pelo menos 32.975 mortos, 75.577 feridos e cerca de 7.000 desaparecidos presumivelmente soterrados nos escombros, na maioria civis, de acordo com o último balanço das autoridades locais.

O conflito fez também quase dois milhões de deslocados, mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária, com mais de 1,1 milhões de pessoas numa "situação de fome catastrófica" que já está a fazer vítimas - "o número mais elevado alguma vez registado" pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

[Notícia atualizada às 20h26]

Leia Também: Hamas insiste em cessar-fogo e saída total de Israel para aceitar acordo

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