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Sudão do Sul. Oposição contesta taxas de registo eleitoral "exorbitantes"

Os partidos da oposição do Sudão do Sul contestaram hoje as taxas de registo "exorbitantes" de 50 mil dólares (cerca de 46.200 euros) exigidas às formações políticas para se registarem e poderem participar das primeiras eleições.

Sudão do Sul. Oposição contesta taxas de registo eleitoral "exorbitantes"
Notícias ao Minuto

14:26 - 25/03/24 por Lusa

Mundo Sudão do Sul

O Sudão do Sul, o Estado mais jovem do mundo, que se tornou independente do Sudão em 2011, deverá ir às urnas pela primeira vez até ao final do ano, como parte de um acordo de paz assinado em 2018, mas as Nações Unidas e vários parceiros internacionais acreditam que continuam a existir obstáculos.

Na semana passada, o Conselho dos Partidos Políticos, um órgão criado para preparar as eleições, instituiu a exigência de os partidos políticos pagarem 50 mil dólares (cerca de 46.200 euros) ou o equivalente em libras sul-sudanesas para se registarem e participarem nas eleições.

Anteriormente, o valor exigido era de 20 mil libras sul-sudanesas (cerca de 140 euros).

"Acreditamos que estas taxas exorbitantes não têm qualquer fundamento e estão em contradição direta com o princípio da democracia e da participação política equitativa", afirmou o presidente do Fórum do Povo Unido, Gai Chol Pol, num comício realizado em frente ao Conselho dos Partidos Políticos em Juba, a capital do Sudão do Sul.

"Só servem para impedir e desencorajar os cidadãos de exercerem o seu direito de participar nas próximas eleições", acrescentou.

Dezenas de membros de 14 partidos políticos da oposição também participaram no comício antes de entregarem as suas queixas ao Conselho dos Partidos Políticos para exigir taxas justas.

O Sudão do Sul, um dos países menos desenvolvidos do mundo, está a lutar para recuperar da guerra civil que opôs os rivais políticos Riek Machar e Salva Kiir entre 2013 e 2018, deixando quase 400.000 mortos e milhões de deslocados.

Um acordo de paz assinado em 2018 prevê o princípio da partilha de poder no âmbito de um governo de unidade nacional, com Kiir como Presidente e Machar como Vice-Presidente.

O partido de Riek Machar, Movimento Popular de Libertação do Sudão na Oposição, ameaçou boicotar as eleições se os princípios fundamentais do acordo não forem aplicados.

"Não somos contra as eleições. Simplesmente acreditamos que uma eleição apressada não trará qualquer estabilidade significativa", disse Machar no sábado na rede social X.

O Presidente Salva Kiir encontrou-se com o enviado especial da ONU para o Sudão do Sul, Nicholas Haysom, na semana passada, para discutir as eleições, disse o Governo no X.

Durante o encontro, Kiir sublinhou a importância das eleições para determinar o futuro do Sudão do Sul e enfatizou a necessidade de todas as partes interessadas cooperarem para garantir um processo eleitoral tranquilo e transparente.

O país é atormentado pela violência político-étnica, tendo Organização das Nações Unidas (ONU) registado um aumento de 35% na violência do país, e pela instabilidade crónica.

Leia Também: Agências da ONU lançam ação para combater fome em contextos frágeis

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