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Cruz Vermelha assistiu 50 mil vítimas de ataques em Moçambique

Quase 50 mil pessoas de Cabo Delgado, norte de Moçambique, vítimas dos ataques de insurgentes na província, receberam em 2023 assistência de emergência do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), anunciou hoje a instituição.

Cruz Vermelha assistiu 50 mil vítimas de ataques em Moçambique
Notícias ao Minuto

15:05 - 20/03/24 por Lusa

Mundo Cabo Delgado

"Embora aproximadamente 570 mil pessoas deslocadas internamente tenham regressado às suas casas, sobretudo em Mocímboa da Praia, encontraram aldeias abandonadas sem serviços básicos, como água potável, acesso a assistência à saúde e meios de subsistência", descreve a instituição, em comunicado.

"Além disso, famílias que tinham sido separadas pela violência regressaram, na esperança de poderem se reunir com os seus entes queridos", acrescenta.

No terreno, o CICV refere que, em conjunto com a Cruz Vermelha de Moçambique, "manteve o apoio às pessoas deslocadas internamente e às comunidades de acolhimento vulneráveis com as suas necessidades humanitárias urgentes", ao mesmo tempo que prestou assistência aos deslocados que regressaram aos locais de origem, "ajudando a construir resiliência".

"A ênfase foi colocada nos meios de subsistência, nos serviços essenciais e no apoio sistémico. Para estarmos mais próximos das comunidades afetadas, abrimos um escritório em Mueda [distrito de Cabo Delgado]", lê-se.

Em concreto, em assistência de emergência, o CICV refere que distribuiu a 25.000 pessoas 'kits' de sementes e ferramentas, incluindo 12 quilogramas (kg) de milho, 10 kg de feijão nhemba, 3 kg de sementes de gergelim e duas enxadas cada, "para ajudá-las a reiniciar a produção de alimentos".

Acresce, na assistência de emergência, que 22.805 pessoas "receberam assistência financeira para diferentes fins de modo a que pudessem satisfazer as necessidades urgentes e básicas".

Além disso, explica o CICV, 27.620 pessoas receberam neste período "utensílios domésticos essenciais para ajudá-las a recomeçar suas vidas".

Entre as intervenções realizadas pela instituição em Cabo Delgado constam ainda oito "comités de água", compostos por 113 pessoas, "incluindo líderes locais [que] foram formados para gerir a infraestrutura de abastecimento de água construída para a sustentabilidade" e condições para permitirem a 123.000 pessoas terem "acesso melhorado a água potável limpa e segura em Montepuez e Mocímboa da Praia".

Também foram garantidas melhorias no acesso à assistência à saúde, com 948.500 consultas realizadas em centros de saúde apoiados pelo CICV e os hospitais de Mueda, Montepuez, Pemba e Ibo "foram apoiados com doações regulares de medicamentos, material e equipamento médico, apoio à infraestrutura, campanhas de doação de sangue e combustível".

Foram igualmente realizadas 4.841 cirurgias em centros de saúde apoiados pelo CICV, das quais 2.553 "para ajudar mulheres grávidas e 47 para ajudar pacientes feridos por armas".

A instituição forneceu igualmente medicamentos e material médico, bem como apoio técnico a 11 centros de saúde e uma unidade móvel de saúde em quatro distritos de Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico, que levou a uma resposta militar desde julho de 2021, com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás.

O conflito já fez um milhão de deslocados, segundo dados das agências das Nações Unidas, e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Além das forças governamentais moçambicanas, combatem a insurgência em Cabo Delgado as tropas do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), no perímetro da área de implantação dos projetos de gás natural da bacia do Rovuma.

Leia Também: Governo moçambicano aponta menos de 100 mortos em ataques em 2023

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