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Recuo glacial na Antártica Ocidental começou na década de 1940

Os glaciares Thwaites e Pine Island, dois dos mais importantes da Antártica Ocidental, iniciaram o seu recuo significativo já na década de 1940, partilhando uma história comum de diminuição, de acordo com um estudo.

Recuo glacial na Antártica Ocidental começou na década de 1940
Notícias ao Minuto

06:59 - 27/02/24 por Lusa

Mundo Estudo

Uma equipa liderada pela Universidade de Houston (EUA), que publica a revista PNAS, estudou a história do glaciar Thwaites, o mais largo do mundo e com cerca de 130 quilómetros, e os seus resultados coincidem com estudos anteriores sobre o recuo do Pine Island.

O Thwaites perde cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo a mais do que recebe na forma de neve, o que põe em risco a sua estabilidade. Um processo acelerado que se observa desde a década de 1970, mas o novo estudo situa o início desta mecânica na década de 1940.

Os resultados da nova investigação sobre a glaciar Thwaites coincidem com trabalhos anteriores que estudaram o recuo do glaciar Pine Island e descobriram que também começou na mesma década.

"Uma implicação significativa das nossas descobertas é que, uma vez iniciado o recuo da camada de gelo, este pode continuar durante décadas, mesmo que o que começou não piore", frisou James Smith, do British Antártico Survey e co-autor do estudo, citado pela agência Efe.

A equipa sugere que o primeiro retrocesso de Thwaites foi provavelmente desencadeada por um padrão climático extremo do El Niño que aqueceu a Antártida Ocidental, do qual não recuperou, e que atualmente contribui com 4% para a subida global do nível do mar.

Se o glaciar entrar em colapso total, estima-se que o nível global do mar subiria 65 centímetros.

É significativo que o El Niño tenha durado apenas alguns anos, mas que Thwaites e Pine Island ainda estejam em recuo acentuado, indicando que "uma vez que o sistema se torna desequilibrado, o recuo é contínuo", apontou, por sua vez, Julia Wellner, da Universidade de Houston e também autora do estudo.

O mais importante desta investigação, de acordo com a líder da equipa, Rachel Clark, é que esta mudança "não é aleatória ou específica de um glaciar", mas faz parte de "um contexto mais amplo de alterações climáticas".

"Não podemos ignorar o que está a acontecer neste glaciar", salientou.

A investigação também estabelece que o recuo na zona glacial, ou área onde os glaciares perdem contacto com o fundo do mar e começam a flutuar, foi devido a fatores externos.

Thwaites e Pine Island partilham uma história comum de diminuição e recuo, corroborando a visão de que a perda de gelo na Antártica Ocidental é predominantemente controlada por fatores externos, e não pela dinâmica interna dos glaciares ou por alterações locais, como o derretimento do leito glacial ou a acumulação de neve na superfície.

Thwaites é significativo não só pela sua contribuição para o nível do mar, mas também por atuar como "uma rolha de garrafa" que contém uma área maior de gelo atrás de si.

"Se for desestabilizado, há a possibilidade de que todo o gelo na Antártida Ocidental se destabilize", alertou Wellner.

De acordo com os autores do estudo, os resultados obtidos irão melhorar os modelos numéricos que tentam prever a magnitude e o ritmo do futuro derretimento da camada de gelo da Antártida e as suas contribuições para o nível do mar.

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