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Rússia está a reconstruir capacidade para desestabilizar países europeus

A Rússia está a reconstruir a sua capacidade de desestabilizar os países europeus e alargar a sua influência no Médio Oriente e em África, representando uma ameaça estratégica para a NATO, alertou um 'think tank' sediado no Reino Unido.

Rússia está a reconstruir capacidade para desestabilizar países europeus
Notícias ao Minuto

06:42 - 21/02/24 por Lusa

Mundo Ucrânia/Rússia

Num relatório abrangente divulgado esta terça-feira, investigadores do Royal United Services Institute argumentam que as nações ocidentais precisam de fazer mais para contrariar o uso de uma guerra não convencional por Moscovo, se quiserem conseguir fazer recuar a invasão da Ucrânia pela Rússia.

"À medida que a guerra na Ucrânia se prolonga, a Rússia tem interesse em criar crises mais distantes", escreveram os autores Jack Watling, Oleksandr V. Danylyuk e Nick Reynolds, citando os Balcãs como uma região pronta para 'o mal'.

"A Rússia também tem um interesse ativo em desestabilizar os parceiros da Ucrânia e, com uma série de eleições em toda a Europa, há uma vasta gama de oportunidades para exacerbar a polarização", alertaram os autores.

O relatório de 35 páginas deste 'think tank' [grupo de reflexão, em português], fundado em 1831, foi divulgado poucos dias antes do segundo aniversário da invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia.

Embora os esforços russos para desestabilizar países como a Moldova tenham falhado devido a falhas de segurança e à expulsão em massa de agentes do Kremlin, os militares russos estão agora a reforçar a sua capacidade de lançar ataques não convencionais, pode ler-se no relatório.

Utilizando documentos obtidos dos serviços secretos russos e entrevistas com organismos oficiais na Ucrânia e em alguns estados europeus, os autores tecem no relatório uma narrativa dos esforços da Rússia para alargar a sua influência para além do atual conflito na Ucrânia.

A ameaça "estende-se para além da Ucrânia e da colaboração ativa dos estados que estão a ser alvo", afirmam, apelando a uma "vigilância sustentada" sobre uma série de questões.

A Rússia também tem vindo a expandir os laços com os estados africanos e do Médio Oriente, deslocando os interesses ocidentais nessas regiões.

Este novo "colonialismo russo" procura criar o que os autores chamam de 'Entente Roscolonial' -- um grupo de Estados que "procura ativamente ajudar a Rússia, ao mesmo tempo que se torna cada vez mais subordinado à influência russa".

A 'entente' representa uma séria ameaça aos interesses ocidentais devido a um "senso forte e amargo" de que os EUA e a NATO agem de forma diferente na Ucrânia e em lugares como Gaza e Tigray, a região do norte da Etiópia que foi devastada pelo conflito, destacam os autores no relatório.

"Da mesma forma, o aparente contraste na linguagem e na retórica ocidentais entre a forma como descrevem a destruição de Aleppo ou Mariupol, e como justificam as operações israelitas em Gaza, faz com que muitos no continente percebam uma lacuna entre a retórica ocidental sobre valores e os valores praticados por aqueles que, durante tanto tempo, impuseram restrições às políticas dos estados africanos para fazer cumprir normas baseadas em valores", sublinharam ainda.

O novo colonialismo, sublinham no relatório, estava interligado com a formação do Grupo Wagner, uma empresa nominalmente privada que fornecia mercenários para guerras em África, no Médio Oriente e na Ucrânia, dando ao governo russo uma negação plausível sobre o seu papel nestes conflitos.

Após a morte do líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, estas unidades foram colocadas mais diretamente sob o controlo dos militares russos.

Este novo 'Corpo Expedicionário' oferece agora um "pacote de sobrevivência do regime" a governos autoritários em países como o Mali e a República Centro-Africana.

Leia Também: Zelensky avisa que atrasos na ajuda a Kyiv tornam guerra "muito difícil"

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