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Irmãos viram pais serem mortos por Israel. Um deles é deficiente

Família tinha pedido ajuda à Cruz Vermelha. A organização assegura que fonte das FDI assegurou que as casas naquela área "não seriam bombardeadas ou destruídas".

Irmãos viram pais serem mortos por Israel. Um deles é deficiente
Notícias ao Minuto

10:22 - 14/02/24 por Notícias ao Minuto

Mundo Faixa de Gaza

Mu'min, que é portador de deficiência, e os irmãos Ahmad e Buthaina, estão entre as inúmeras pessoas que ficaram sem casa e que agora se acumulam no sul da Faixa de Gaza, mas também três entre os milhares de crianças afetadas pelo conflito no pequeno enclave. Os irmãos perderam os pais depois de militares das Forças de Defesa de Israel (FDI) terem invadido a sua casa, num subúrbio a norte do centro de Khan Younis.

Além da perda trágica dos pais, Mu'min, que tem apenas cinco anos, viu ainda o estilhaço de uma granada atravessar-lhe o olho esquerdo, tendo ficado alojado no cérebro. Tudo aconteceu no passado dia 15 de dezembro, tal como relata uma reportagem da Sky News

"Invadiram a nossa casa e mataram a nossa mãe e o nosso pai. Depois começaram a disparar contra nós e feriram o nosso irmão", disse Ahmad, de 11 anos, citada pela estação. 

"Fomos para outra divisão, para nos escondermos dos soldados. Depois, começaram a bater à porta e rebentaram com ela", acrescentou Buthaina, de nove anos.

"Estavam a interrogar-nos, pedindo-nos para lhes mostrarmos os túneis e para lhes dizermos onde estavam os combatentes da resistência. Depois, deram-nos uma bandeira branca e mandaram-nos descer a Rua Salahudin", contou Ahmad.

Dias antes, o pai das crianças, Mohammed Khattab, que era também o principal cuidador de Mu'min, havia pedido ao irmão, médico, que alertasse o Comité Internacional da Cruz Vermelha, tentando evitar o pior.

Numa das mensagens, a 7 de dezembro, o médico, Omar Khattab Omar Al Zaqzouq, alertou a Cruz Vermelha, como tinha sido pedido, referindo que o irmão havia dito que "os tanques atrás da casa" tinham destruído "a casa vizinha". No entanto, "é muito difícil" qualquer deslocação no enclave "sem autorização", notou.

Um dia depois, a 8 de dezembro, voltou a contactar o mesmo funcionário da organização humanitária, alertando que tinha falado com o irmão e que já havia tanques à volta da casa. "Não nos podemos mexer", terá dito, sabendo que seria difícil deslocar o filho de cinco anos e que era necessário avisar as autoridades israelitas com antecedência.

O representante da Cruz Vermelha tentou tranquilizá-los, referindo que haviam assegurado "que as casas não seriam bombardeadas ou destruídas durante a noite e no futuro". Contudo, no dia 15, os soldados israelitas invadiram a habitação da família e o pior aconteceu.

"Deitaram abaixo a parede da frente e entraram em casa, estávamos sentados a almoçar. Depois o meu irmão Mohammed foi baleado. Ele estava na frente, a acenar com uma bandeira branca", contou Duaa Khattab Omar Al Zaqzouq, tia das crianças, que estava na casa naquele momento, em que também foi lançada uma granada.

Mohammed e a mulher morreram e Mu'min acabou por perder a visão do olho esquerdo.

Depois de serem interrogados, os sobreviventes foram autorizados a sair e obrigados a fugir - eram nove, incluindo cinco crianças. Só no dia seguinte, ficaram em segurança, nos terrenos do Hospital Europeu de Gaza, conta a Sky News.

A tia está agora a aprender a cuidar de Mu'min. "Eles perderam o pai e a mãe num dia, ao mesmo tempo, à frente dos olhos deles. É uma coisa muito difícil. Ninguém consegue lidar com isto, ninguém consegue", rematou.

A Sky News confrontou as FDI, que não comentaram o assunto. Por outro lado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha disse que "o trágico incidente envolvendo a família Khattab sublinha os perigos que os residentes em Gaza enfrentam".

"No meio da violência generalizada em Gaza, continua a ser da responsabilidade legal das partes em conflito garantir que os civis tenham rotas seguras para seguir quando lhes for ordenada a evacuação. Se os civis não quiserem ou não puderem sair, continuam a estar protegidos nas suas casas ao abrigo do Direito Internacional Humanitário, um facto que as partes devem respeitar", indicou.

"Quando um membro do pessoal do Comité Internacional da Cruz Vermelha partilhou numa mensagem de texto que as casas não seriam bombardeadas ou destruídas, esse membro do pessoal estava a transmitir informação partilhada com o público pelas Forças de Defesa de Israel, especificando que as FDI iriam fazer uma pausa nas operações em 8/12/23 para permitir a circulação da ajuda humanitária", precisou.

Leia Também: "Massacre" e operações humanitárias "às portas da morte". Rafah em alerta

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