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Wilders terá de tranquilizar parceiros se quiser formar governo

O líder neerlandês da extrema-direita e vencedor das últimas legislativas, Geert Wilders, terá de tranquilizar os possíveis parceiros sobre as suas posições islamofóbicas e antieuropeias para tentar formar uma coligação de governo, segundo um relatório hoje apresentado no parlamento.

Wilders terá de tranquilizar parceiros se quiser formar governo
Notícias ao Minuto

20:56 - 11/12/23 por Lusa

Mundo Países Baixos

Após a sua surpreendente vitória eleitoral mas sem maioria no parlamento, Wilders nomeou um político para tentar fazer a ligação entre os líderes dos partidos e determinar as opções de governo.

Ronald Plasterk, um antigo ministro do Interior e da Educação, Cultura e Ciência, tem conversado intensamente com Wilders e outros líderes partidários da direita, que estão relutantes em aderir a uma coligação devido às opiniões radicais do vencedor das legislativas nos Países Baixos, realizadas em novembro.

No sistema político neerlandês, altamente fragmentado e no qual nenhum partido é habitualmente suficientemente forte para governar sozinho, as eleições são geralmente seguidas de meses de negociações para formar um executivo.

Plasterk aconselhou primeiro a nomeação de uma pessoa para supervisionar as negociações para ver se os quatro partidos preferidos de Wilders podem chegar a um acordo sobre uma "base comum para salvaguardar a Constituição, os direitos fundamentais e o Estado de Direito Democrático".

Se as dúvidas sobre o compromisso de Wilders em defender a Constituição puderem ser superadas, as partes podem passar para o próximo passo: examinar cinco áreas políticas principais.

Trata-se da imigração, da política social (incluindo o custo de vida e da saúde), da boa governação e da estabilidade das finanças públicas, da política externa e da política climática e ambiental.

Prevê-se que as discussões tenham lugar ainda em dezembro e em janeiro, e um novo relatório será apresentado ao parlamento "no início de fevereiro, o mais tardar", de acordo com o documento de Plasterk.

Em seguida, os partidos abordarão as questões substantivas e poderão chegar a acordo sobre políticas que possam constituir um possível entendimento de coligação.

Questionado pelos jornalistas se os partidos conseguiriam ultrapassar as suas diferenças, Plasterk respondeu: "Acho que podem e acho até que deveriam".

"O país deve ser governado", acrescentou, sublinhando também que os diferentes partidos com os quais conversou consideram que "não seria aceitável" ter de organizar novas eleições.

Nas eleições disputadas em 22 de novembro, o Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, conquistou 37 lugares na câmara baixa, muito mais do que as sondagens previam, mas precisa do apoio de 76 deputados dos 150 no parlamento para governar e, para isso, procura parceiros para construir uma coligação maioritária, como é habitual nos Países Baixos.

Plasterk disse que Wilders deveria manter negociações de coligação com o Novo Contrato Social, um partido reformista criado durante o verão que conquistou 20 cadeiras, o Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD), liderado pelo primeiro-ministro cessante, Mark Rutte, e o Movimento dos Agricultores-Cidadãos (BBB).

Juntos, os quatro partidos têm 88 lugares -- uma maioria confortável na Câmara dos Deputados. No entanto, não têm maioria no Senado.

As negociações de coligação serão complicadas, uma vez que os partidos têm diferenças ideológicas significativas a superar se quiserem formar o próximo gabinete governativo.

O manifesto eleitoral do PVV prevê um "Nexit", uma saída dos Países Baixos da União Europeia, uma proibição de mesquitas e do véu islâmico, e a interrupção das entregas de armas à Ucrânia.

"Ninguém deveria ter medo de nós", disse Wilders aos jornalistas na semana passada, durante a posse dos novos deputados.

Durante as negociações, Mark Rutte permanecerá como primeiro-ministro.

O seu último governo caiu no verão passado devido a disputas internas sobre imigração e, mais tarde, anunciou que estava de saída da política após um recorde de 13 anos no cargo.

Foram necessários 271 dias para formar o último governo de Rutte, outro recorde.

Leia Também: Wilders sem via aberta para governar (mas moderação pode salvar ambições)

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