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Save the Children acusa Israel de usar a fome como arma de guerra em Gaza

A Organização Não-Governamental (ONG) Save the Children acusou hoje Israel de estar a usar a fome como uma arma de guerra contra a população civil de Gaza, apelando a um "cessar-fogo imediato e definitivo".

Save the Children acusa Israel de usar a fome como arma de guerra em Gaza
Notícias ao Minuto

15:50 - 09/12/23 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

"Afastar deliberadamente a população civil de comida, água e combustível e impedir propositadamente os mantimentos de chegarem às populações é usar a fome como arma de guerra, o que inevitavelmente tem um impacto mortal nas crianças", alertou esta ONG, citando vários casos de crianças e famílias que não têm acesso a água, abrigo e comida durante vários dias seguidos.

Esta ONG está a "apelar à comunidade internacional para garantir um cessar-fogo imediato e definitivo e ao Governo de Israel para reverter as condições que tornaram a resposta humanitária praticamente impossível, incluindo o acesso direto a toda a região de Gaza, e o regresso da entrada do comércio em Gaza", lê-se num comunicado colocado no site desta organização.

"A fome nunca deve ser usada como um método de guerra", disse ainda a Save the Children, que dá conta de "vários relatos de colaboradores que falam de famílias que estão vários dias sem comida, abrigo, água ou acesso a cuidados de saúde, incluindo na chamada 'zona segura' de Al-Mawasi".

No comunicado, aponta-se ainda que as mudanças consecutivas a que os habitantes de Gaza são sujeitos por ordem dos militares israelitas "estão a empurrar os civis para 'zonas seguras' mortais, que só colocam os civis ainda mais em perigo, porque são empurrados para zonas que não os conseguem acomodar ou garantir os serviços básicos necessários, e nas quais continuam a ser atacados".

A ONG cita a Organização Mundial da Saúde para sublinhar que o aumento das doenças motivado pela falta de acesso a alimentos e água potável pode ser mais mortal do que os próprios bombardeamentos, e lamenta que as crianças de Gaza estejam encurraladas "entre bombardeamentos, fome e doenças".

No princípio deste mês, as Nações Unidas disseram que quase 7.700 crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição severa, a mais mortífera forma de má nutrição, e num relatório separado também citado no comunicado, o Programa Alimentar Mundial alerta que nove em cada dez pessoas em Gaza admitiram ter passado pelo menos 24 horas sem comida, com quase um quinto a terem passado por isso mais de dez dias no último mês.

As estruturas do Hamas publicaram hoje um balanço global de 17.490 pessoas mortas pelos bombardeamentos israelitas contra a Faixa de Gaza.

O ataque do Hamas sem precedentes em solo israelita, em 07 de outubro, matou 1.200 pessoas, segundo as autoridades israelitas.

Leia Também: Centenas marcham por paz na Palestina e fim dos combustíveis fósseis

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