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"Só se pode ganhar uma guerra urbana se se proteger os civis"

O secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, exortou hoje Israel, que retomou os bombardeamentos à Faixa de Gaza, a proteger os civis palestinianos, condição que considera indispensável para uma vitória no terreno contra o movimento islamita palestiniano Hamas.

"Só se pode ganhar uma guerra urbana se se proteger os civis"
Notícias ao Minuto

23:46 - 02/12/23 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

O antigo general do Exército, que combateu no Iraque e no Afeganistão e liderou a luta contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), explicou que aprendeu "uma ou duas coisas sobre a guerra urbana", num discurso proferido no Fórum sobre a Defesa Nacional do Instituto Reagan, na Califórnia.

"A lição a reter não é que é garantido ganhar uma guerra urbana se protegermos os civis. A lição é que só se pode ganhar uma guerra urbana se se proteger os civis", sublinhou.

"Neste tipo de combate, o centro de gravidade é a população civil. E se a empurrarmos para os braços do inimigo, substituímos uma vitória tática por uma derrota estratégica", prosseguiu, acrescentando que "tal como o Hamas, o EI está profundamente enraizado nas zonas urbanas".

O líder do Pentágono falava um dia depois do reinício dos combates entre Israel e o Hamas, com o Exército israelita a retomar os bombardeamentos à Faixa de Gaza, após uma trégua de sete dias.

Israel e o Hamas acusam-se mutuamente pelo fim do cessar-fogo, que permitiu a libertação de 110 reféns em troca de 240 prisioneiros palestinianos.

A guerra foi desencadeada a 07 de outubro por um ataque de proporções sem precedentes do movimento islamita palestiniano a Israel, que fez 1.200 mortos, na maioria civis, e cerca de 240 reféns, segundo as autoridades.

Em retaliação, as forças israelitas efetuaram intensos bombardeamentos à Faixa de Gaza -- desde 2007 controlada pelo Hamas, classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel -, onde lançaram, a 27 de outubro, uma ofensiva terrestre.

Os ataques israelitas - que mataram mais de 15.200 pessoas, incluindo mais de 6.150 menores, segundo números das autoridades locais confirmados pela ONU, e 1,7 milhões de deslocados, também segundo a ONU - alimentaram a ira contra Israel em vários países do Médio Oriente e grupos armados levaram a cabo ataques a Israel e às tropas norte-americanas na região.

As forças dos Estados Unidos no Iraque e na Síria foram, nomeadamente, alvo de uma série de ataques que feriram cerca de 60 militares. Washington imputou tais ataques a grupos ligados ao Irão e respondeu com ataques aéreos.

"Não toleraremos qualquer ataque a militares norte-americanos. Enquanto eles continuarem, faremos tudo o que for necessário para proteger as nossas tropas e fazer quem os ataca pagar por isso", advertiu.

Também a vice-Presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, instou hoje Israel a "fazer mais" para proteger os civis em Gaza e apresentou a sua visão para o pós-guerra, com esforços para reconstruir as infraestruturas, aumentar a segurança e mudar o Governo do enclave.

"Israel tem o direito de se defender. Mas também temos de ter em conta que demasiados civis palestinianos, pessoas inocentes, perderam a vida, e é imperativo que Israel faça mais para proteger os civis inocentes", sustentou Harris numa conferência de imprensa no Dubai, onde se encontra a participar na Cimeira do Clima COP28.

Embora apoiando o direito de Israel a defender-se, a vice-Presidente norte-americana sublinhou que "a forma" como o faz é de grande importância e considerou que "a magnitude do sofrimento dos civis e as imagens e vídeos que chegam de Gaza são devastadores".

No seu discurso, Harris foi particularmente clara em relação ao que os Estados Unidos desejam ver quando a guerra terminar e frisou que não deve haver deslocação forçada de palestinianos, nem alteração das fronteiras da Faixa de Gaza.

"Não à deslocação forçada, não à reocupação, não ao cerco ou bloqueio, não à redução do território e não ao uso de Gaza como plataforma para o terrorismo", vincou.

Leia Também: "Não cometerei erro de permitir que Autoridade Palestiniana governe Gaza"

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