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Países Baixos. Wilders sofre golpe após recusa de coligação

O líder do partido de extrema-direita vencedor das eleições nos Países Baixos, Geert Wilders, viu, esta quarta-feira, diminuírem-se as perspetivas para governar, com a recusa de um potencial parceiro de coligação devido às suas posições extremadas.

Países Baixos. Wilders sofre golpe após recusa de coligação
Notícias ao Minuto

08:24 - 30/11/23 por Diogo Caldas

Mundo Países Baixos

O Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, conquistou 37 cadeiras na Câmara dos Representantes, muito mais do que as sondagens previam, mas Wilders precisa do apoio de 76 deputados dos 150 no Parlamento para governar e, por isso, procura parceiros para construir uma coligação maioritária, como é habitual nos Países Baixos.

Os democratas-cristãos (NSC, 20 cadeiras) eram vistos como um possível parceiro, mas o seu líder, Pieter Omtzigt, escreveu, numa carta ao negociador encarregado de explorar possíveis acordos, que "NSC não vê base para entrar em discussões com o PVV sobre um governo maioritário ou minoritário".

A visão do PVV "contém posições que, na nossa opinião, são contrárias à Constituição (...) traçamos uma linha vermelha", frisou Omtzigt.

O manifesto do partido que venceu as legislativas defende a proibição das mesquitas, do Alcorão e do uso de lenços de cabeça pelas mulheres muçulmanas, bem como a organização de um referendo sobre a saída dos Países Baixos da União Europeia ("Nexit").

Wilders moderou as suas posições durante a campanha eleitoral e enfatizou desde a noite das eleições que pretende ser "o primeiro-ministro de todo o povo neerlandês", sem distinção de origem ou religião.

Sobre a mudança de posição, o NSC sublinhou que a posição "não está clara" e questionou "qual o estado do manifesto do PVV atualmente".

O líder deste novo partido referiu ainda "vários obstáculos" ao trabalho com o PVV, como a Ucrânia, o "Nexit" e a política fiscal.

Omtzigt sugeriu ainda, no caso de fracasso das negociações para formar uma coligação, a nomeação de um "governo de especialistas".

No final da noite eleitora, Wilders frisou que era a favor de uma coligação com o NSC, o partido dos agricultores (BBB, sete cadeiras) e o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, liberal, 24 cadeiras).

Mas este partido, do qual provém o primeiro-ministro cessante, Mark Rutte, já descartou a possibilidade de integrar um governo liderado por Wilders, garantindo ao mesmo tempo que estaria pronto para "apoiar uma coligação de centro-direita".

Wilders, que apelou aos líderes dos partidos que vê como parceiros de coligação para se sentarem à mesa de negociações, garantiu que ele e o seu partido estavam preparados para serem "firmes, mas razoáveis" nas suas políticas.

Também levantou a possibilidade de um governo minoritário, se não conseguir construir uma coligação com maioria.

O processo pós-eleitoral sofreu um fracasso com a renúncia, na segunda-feira, do negociador encarregado por Wilders de liderar as negociações.

A maioria dos analistas acredita agora que um governo não pode ser formado antes de meados de 2024, sendo que demorou 271 dias para formar o executivo de Mark Rutte após as eleições de 2021.

Leia Também: Países Baixos. Esquerda rejeita coligação com extrema-direita de Wilders

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