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Milhares voltam às ruas em Espanha contra amnistia de independentistas

Milhares de pessoas voltaram hoje a manifestar-se em Madrid e noutras cidades espanholas contra a amnistia de independentistas, com o protesto da capital a terminar com nova intervenção policial para dispersar a multidão.

Notícias ao Minuto

22:19 - 07/11/23 por Lusa

Mundo Madrid

As concentrações em frente de sedes do partido socialista espanhol (PSOE), atualmente no poder em Espanha, estão a ser convocadas diariamente por grupos de extrema-direita e têm sido apoiadas pelo Vox, a terceira força política no parlamento.

Entre gritos e cartazes com palavras de ordem contra o PSOE e o líder do partido, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, os manifestantes têm também gritado vivas ao ditador Francisco Franco e exibido bandeiras espanholas do período da ditadura.

As maiores manifestações têm sido em Madrid, em frente da sede nacional do PSOE, na rua Ferraz, onde hoje se concentraram cerca de 7.000 pessoas, depois de na segunda-feira terem estado no mesmo local mais de 3.000, segundo números das autoridades.

Hoje, um grupo de mais de 500 pessoas, que estavam concentradas em Ferraz, deslocaram-se também para as imediações do Congresso, tendo cortado a Gran Vía, uma das principais artérias do centro de Madrid. Após alguns minutos perto do Congresso, o grupo regressou à concentração em frente da sede do PSOE.

A manifestação de hoje em Madrid foi dispersada pela polícia, por elementos de forças antidistúrbios, após pouco mais de duas horas de concentração, quando parte dos manifestantes já tinha abandonado o local e quando um grupo começou a atirar objetos às forças de segurança e começou a tentar forçar as barreiras que haviam sido colocadas na rua.

Na segunda-feira, já tinha havido uma carga policial e três pessoas foram detidas no final da manifestação de Madrid.

O PSOE suspendeu hoje a atividade nas sedes que tem pelo país por causa da possibilidade de concentrações violentas em frente dos edifícios.

Segundo a polícia espanhola, a atuação policial na segunda-feira teve como alvo um grupo de 200 pessoas que lançaram objetos aos agentes e tentaram também forçar barreiras.

Essas 200 pessoas infiltraram-se entre os manifestantes pacíficos e tinham "o rosto coberto e estética ultra", segundo um documento da polícia citado pelos meios de comunicação social.

A polícia assegurou que a atuação contra estas 200 pessoas ocorreu já depois de a maioria dos manifestantes ter abandonado o local.

O Governo, através da ministra porta-voz, Isabel Rodríguez, considerou hoje que a atuação policial em Madrid na segunda-feira foi proporcionada.

O presidente do Vox (extrema-direita), Santiago Abascal, que esteve na concentração de Madrid na segunda-feira, disse hoje que o Governo ordenou uma carga policial perante uma manifestação "pacífica e legal" e pediu à polícia para "não cumprir ordens ilegais caso se voltem a repetir".

Abascal prometeu na segunda-feira que as "mobilizações contra o golpe vão ser constantes e crescentes".

Além do Vox, também na segunda-feira o presidente do Partido Popular espanhol (PP, direita), Alberto Núñez Feijóo, prometeu contestação aos acordos do PSOE com os independentistas catalães "com todos os recursos, em todas as instâncias e em todos os âmbitos", incluindo nas ruas, e convocou manifestações em 52 cidades no próximo domingo.

Hoje, o PP realçou que não está por trás das manifestações convocadas para as imediações das sedes do PSOE.

Na sequência das eleições espanholas de 23 de julho, o PSOE está a fechar acordos com partidos nacionalistas e independentistas catalães, bascos e galegos que incluem uma amnistia para independentistas da Catalunha que protagonizaram a tentativa de autodeterminação da região em 2017.

Se todos os acordos se confirmarem, Pedro Sánchez poderá ser reconduzido como líder do Governo de Espanha.

Se até 27 de novembro não houver novo primeiro-ministro investido pelo parlamento, Espanha terá de repetir as eleições.

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