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Invasão da Ucrânia "criou mundo de insegurança para todos"

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou hoje que a invasão da Ucrânia pela Rússia é "prova" de uma violação da Carta das Nações Unidas e que criou "um mundo de insegurança para todos".

Invasão da Ucrânia "criou mundo de insegurança para todos"
Notícias ao Minuto

14:29 - 19/09/23 por Lusa

Mundo Ucrânia/Rússia

No seu discurso de abertura do debate geral da 78.ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA 78, na sigla em inglês), Guterres voltou a dar destaque à guerra lançada pela Rússia na Ucrânia no momento em que sublinhava a importância do compromisso de paz patente na Carta das Nações Unidas.

"Em vez de se acabar com o flagelo da guerra, estamos a assistir a uma onda de conflitos, golpes de Estado e caos. Se todos os países cumprissem as suas obrigações nos termos da Carta, o direito à paz estaria garantido", começou por dizer.

"Quando os países quebram esses compromissos, criam um mundo de insegurança para todos. Prova A: A invasão da Ucrânia pela Rússia. A guerra, em violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, desencadeou um nexo de horror: vidas destruídas; direitos humanos violados; famílias dilaceradas; crianças traumatizadas; esperanças e sonhos destruídos", afirmou o líder da ONU.

O discurso de Guterres antecede o do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ainda hoje - e pela primeira vez presencialmente - na Assembleia Geral (AG) da ONU, após ter participado remotamente no ano passado, através de uma mensagem pré-gravada.

Naquela que é a segunda AG da ONU desde o início da invasão russa em 2022, Guterres dedicou parte do seu discurso a esse conflito, advogando que o mesmo vai além das fronteiras ucranianas e "tem sérias implicações para todos nós".

"As ameaças nucleares colocam-nos a todos em risco. Ignorar tratados e convenções globais torna-nos a todos menos seguros. E o envenenamento da diplomacia global obstrui o progresso em todos os sentidos. Não devemos ceder no trabalho pela paz - uma paz justa, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional", acrescentou.

O ex-primeiro-ministro português defendeu ainda a procura de todos os caminhos possíveis para aliviar o sofrimento dos civis na Ucrânia e noutros lugares, dando como exemplo o Acordo dos Cereais do Mar Negro, que serviu para exportar cereais ucranianos e fertilizantes russos ao longo de vários meses de guerra, mas que se encontra suspenso por decisão de Moscovo.

"O mundo precisa urgentemente de alimentos ucranianos e de alimentos e fertilizantes russos para estabilizar os mercados e garantir a segurança alimentar. Não vou desistir dos meus esforços para que isso aconteça", assegurou, recebendo fortes aplausos.

Contudo, e tal como já havia feito no ano passado, o secretário-geral da ONU chamou a atenção dos chefes de Estado e de Governo presentes para outros conflitos e crises humanitárias que se estão a multiplicar em todo o mundo, sustentando que "velhas tensões estão a agravar-se, enquanto surgem novos riscos".

Entre os conflitos enumerados por Guterres estão uma série de golpes de Estado que desestabilizam ainda mais o Sahel, à medida que o terrorismo ganha terreno nessa região; a guerra civil em grande escala no Sudão; o deslocamento e violência de género na República Democrática do Congo; a violência de gangues no Haiti; ou a grande proporção (70%) da população afegã que necessita de assistência humanitária, além dos direitos das mulheres e das raparigas sistematicamente negados.

Também incluídos no discurso do chefe da ONU foram os ciclos de violência e agravamento da pobreza e repressão em Myanmar; ou a escalada da violência e mortes nos territórios palestinianos ocupados, com um impacto sobre os civis.

"As ações unilaterais estão a intensificar-se e a minar a possibilidade de uma solução de dois Estados - o único caminho para uma paz e segurança duradouras para palestinianos e israelitas. A Síria permanece em ruínas enquanto a paz permanece remota. Entretanto, os desastres naturais estão a agravar o desastre causado pelo homem, o conflito", apontou.

"Face a estas crises crescentes, o sistema humanitário global está à beira do colapso. As necessidades estão a aumentar. E o financiamento a acabar. As nossas operações humanitárias estão a ser forçadas a fazer cortes massivos. Mas se não alimentarmos os famintos, estaremos a alimentar o conflito. Apelo a todos os países para que intensifiquem e financiem o Apelo Humanitário Global", instou.

Advogando que a arquitetura de paz e segurança está sob uma pressão sem precedentes, Guterres voltou a pedir aos Estados para que se comprometam novamente com um mundo livre de armas nucleares e para que acabem com a erosão do regime de controlo de armas.

O debate de alto nível da 78.ª sessão da Assembleia Geral da ONU arrancou hoje, em Nova Iorque, com a presença de chefes de Estado e de Governo de todo o mundo, e irá prolongar-se até ao próximo dia 26, com a guerra da Rússia na Ucrânia ainda sob foco.

Espera-se que as potências ocidentais usem os seus discursos na ONU para reafirmem o seu apoio a Kyiv, mas também que se foquem na importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável serem alcançados até 2030, um dos principais focos da ONU.

Por outro lado, espera-se que a Rússia - que se fez representar pelo chefe da Diplomacia, Serguei Lavrov, e que discursará no sábado - utilize este evento para atacar o Ocidente por ajudar Kyiv.

Leia Também: Ucrânia: Bruxelas sem comentários a queixa de Kyiv sobre cereais

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