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Líder catalão: Independência é "questão europeia difícil de evitar"

O presidente do governo regional da Catalunha defende que a independência da Catalunha "é uma questão europeia que será difícil de evitar", apesar de a reação automática da União Europeia ser a de tentar evitá-la.

Líder catalão: Independência é "questão europeia difícil de evitar"

"A nossa 'teoria', e esta teoria é válida quer para a Catalunha quer para a Escócia, é a de que se houver um referendo e a independência vencer, a Europa terá de encontrar maneira de aceitar esta nova realidade política, terá de usar de bom senso e o bom senso diz que o projeto europeu é um projeto assente no alargamento da União", disse Artur Mas durante um encontro com jornalistas estrangeiros em Barcelona.

Para o chefe do governo regional catalão, "a maioria dos políticos da UE entende bem a questão do referendo na Catalunha. A ideia de que um referendo é necessário na Catalunha é largamente aceite na Europa, mas publicamente ninguém irá dizer isso porque seria ir contra um Estado-membro que se opõe".

"Quando a consequência de um referendo pode ser a escolha da independência da Catalunha, a posição não será exatamente a mesma porque a criação de um novo país é um novo e substancial problema sobre a mesa na UE. Se esse problema puder ser evitado será evitado, mas a verdadeira questão é se será possível evitá-lo ou não", adianta.

"Quando 80 por cento dos catalães querem votar sobre o futuro, será difícil evitar esta nova questão política europeia", afirmou Artur Mas, 58 anos, presidente do governo regional desde 2010, numa referência a sondagens de opinião sobre a realização de um referendo à independência.

O relacionamento entre a região autónoma da Catalunha e o governo central espanhol atravessa um período particularmente tenso face à intenção do governo de Mas de realizar, em 09 de novembro, uma "consulta popular", não vinculativa, sobre a independência catalã.

O parlamento espanhol rejeitou em 08 de abril a hipótese de um referendo e o governo da Catalunha pretende agora contornar o bloqueio com a figura da consulta popular, em que os catalães serão colocados perante duas perguntas: "Quer que a Catalunha seja um Estado?" e, em caso afirmativo, "Quer que a Catalunha seja um Estado independente?".

"La Consulta", que passou a ser matéria de todas as conjeturas no quotidiano catalão, será objeto de uma lei regional a aprovar pelo parlamento da Catalunha em setembro ou outubro, mas o governo espanhol poderá levar o assunto ao Tribunal Constitucional, que poderá determinar a suspensão da consulta durante cinco meses, antes de uma decisão final sobre a autorização ou não da votação na Catalunha.

"Defendemos a consulta porque deste modo ficaremos a saber quais são as posições dos eleitores sobre a independência. E depois poderemos negociar com bases concretas a aplicação do resultado dessa consulta", afirmou Artur Mas, que diz ser "mais o presidente do referendo que o presidente da independência".

Face a posições públicas assumidas pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão barroso, e pelo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, sobre uma exclusão da Catalunha da UE no caso de se tornar independente, Artur Mas considera "normal que essas posições sejam tomadas, respeitando os países membros, antes dos referendos, mas uma vez realizada a consulta e uma vez expressa a vontade da população, a UE terá de enfrentar o facto e se necessário negociar a criação de um novo Estado".

Roger Albinyana, secretário dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus do governo regional, adianta que "é compreensível que os líderes europeus não encorajem o processo catalão, mas em privado há o entendimento de que a questão da Catalunha tem de ser discutida ao nível político".

O responsável pela diplomacia catalã diz ainda que "uma declaração unilateral de independência não faz parte do roteiro, mas é uma ideia que não pode ser absolutamente excluída".

Para já, sobre a mesa está apenas a realização ou não da consulta, mas as sondagens que indicam que 80% dos catalães querem ter direito a votar sobre o seu futuro político indicam também que cerca de 52% defendem a independência, contra 24 por cento que são contra e 15,9% por cento que se manifestam indecisos.

"Se não houver possibilidade de um acordo com o governo central para realizar um referendo mesmo num quadro legal específico como o de uma lei regional sobre consultas populares. A última ferramenta legal de que disponho é a convocação de eleições antecipadas. É algo que posso fazer até finais de 2016", conclui Artur Mas.

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