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Homem internado em Espanha era assassino de crime cometido em Portugal

Durante seis meses, médicos e enfermeiros trataram do doente sem suspeitarem de que seria um assassino.

Homem internado em Espanha era assassino de crime cometido em Portugal
Notícias ao Minuto

09:18 - 22/06/23 por Notícias ao Minuto

Mundo Polícia

Um homem que esteve internado seis meses num hospital em Espanha, sem nunca ter sido identificado, era, afinal, um criminoso. Seria autor de um homicídio cometido em Portugal, em 2019.

O suspeito permaneceu internado com graves sequelas no Hospital Fundación Instituto San José, após ter sofrido um acidente, reporta o El Pais.

O homem, de origem chinesa, não falava espanhol e nem conseguia comunicar devido aos danos neurológicos que sofreu. Durante seis meses nunca recebeu visitas, sendo que no final desse período, e depois de o seu seguro de saúde ter informado que deixaria de pagar os tratamentos médicos, o hospital viu-se obrigado a contactar a polícia. Viriam a descobrir que era um criminoso procurado por um crime cometido em Portugal.

A dívida à máfia e o homicídio

O crime aconteceu em 3 de maio de 2019, dia em que foi encontrado, na Serra da Arrábida, em Setúbal, o cadáver de Jun Jun Fang, de 32 anos. Tinha ferimentos de seis tiros - cinco na boca e um na nuca. Os assassinos roubaram toda a sua documentação, o telemóvel e fugiram do país.

Ao investigar os dias que antecederam a sua morte, a Polícia Judiciária portuguesa descobriu que Fang tinha implorado aos seus amigos que lhe emprestassem dinheiro para pagar uma dívida. Tinha contraído uma dívida de 70 mil euros com a máfia chinesa por um caso relacionado com o tráfico de meixão, um negócio bastante lucrativo na Ásia.

Os investigadores portugueses rapidamente identificaram os autores do crime: um homem de 39 anos e um de 55 anos, com condenações anteriores por extorsão, tráfico de droga e até outra tentativa de homicídio.

A fuga para Espanha e as detenções

Desde o início, os agentes suspeitaram que os assassinos tinham fugido para Espanha, porque o GPS do seu carro conduzia-os ao país vizinho. As autoridades portuguesas emitiram um mandado de captura europeu em setembro do mesmo ano.

O caso chegou às mãos da Polícia Nacional para a Localização de Fugitivos e a 4 de fevereiro de 2022 conseguiram deter um dos criminosos, que estava hospedado num hostel em Madrid.

A história de detenção do segundo suspeito começou quando, em agosto de 2022, sofreu um aparatoso acidente de carro que o levou para o hospital. Foi de urgência para o hospital de Parla, depois transferido para Getafe e, por fim, graças ao seguro da empresa de aluguer de automóveis, deu entrada no Hospital Fundación Instituto San José.

Seis meses após ser internado, não havia nada que pudesse ser feito para salvar o homem, e sem que houvesse familiares ou amigos que pudessem continuar a pagar os seus tratamentos, o hospital viu-se perante um dilema. Foi nesta altura que chegou à polícia a informação de que o doente podia ser um criminoso. 

As autoridades identificaram o criminoso, e o homem foi detido e levado para um centro hospitalar dentro da prisão, dado que as suas sequelas físicas e neurológicas o converteram numa pessoa dependente.

Leia Também: Espanha. Detido agente da Audiência Nacional por colaborar com criminosos

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