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Ex-ministro de Bolsonaro defende golpe militar de 1964 em comissão

O ex-ministro do Gabinete de Segurança do Brasil general Augusto Heleno Ribeiro defendeu durante um depoimento na comissão de investigação dos ataques de 08 de janeiro, em Brasília, que o golpe de Estado de 1964 "salvou o país".

Ex-ministro de Bolsonaro defende golpe militar de 1964 em comissão
Notícias ao Minuto

16:50 - 02/06/23 por Lusa

Mundo Brasil

"O movimento de 1964 salvou o país", disse Heleno Ribeiro, que foi repreendido pelas suas palavras e recordado de como aquele golpe estabeleceu uma sangrenta ditadura militar, que matou, sequestrou e torturou adversários.

"Seu meritíssimo acredita que o movimento de 1964 matou milhares de pessoas, o que não aconteceu, acredita que foi um movimento de vingança, de ódio, quando o movimento de 1964 salvou o Brasil da virada para o comunismo. Basta ler a história, o Brasil estava a um passo de se tornar um país comunista", respondeu o ex-ministro do Governo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Fábio Felix acusou então o general de ter cometido um crime após seus elogios ao golpe de 1964 e anunciou que abrirá ações judiciais contra o que considerou um "ataque à democracia e ao Estado de direito".

O ex-ministro também questionou o uso do termo "golpe" para se referir ao que aconteceu em 08 de janeiro em Brasília, quando milhares de 'bolsonaristas' invadiram violentamente as sedes dos três poderes.

"Tratar como 'golpe' não é correto. Golpe precisa ter líderes, não é uma ação fácil, muito menos no Brasil. O termo golpe está sendo usado com extrema simplicidade", teorizou o general, que também descreveu como "fantasiosa" a classificação de tentativa de golpe em Brasília perpetrada por apoiantes de Bolsonaro para anular o resultado das eleições.

Heleno Ribeiro também aproveitou o discurso para elogiar os acampamentos que foram montados em frente ao quartel do Exército em Brasília, onde apoiantes de Bolsonaro solicitavam uma intervenção militar. Para si, não passavam de espaços "saudáveis", nos quais se "rezava muito" e "as pessoas se reuniam para conversar sobre política".

"Foram muitas mulheres e crianças (...) Durou muito tempo sem nenhum acontecimento digno de nota, nem consequências danosas. Foi uma experiência nova em termos de manifestação política, ordeira, disciplinada, que deve ter influenciado a política brasileira movimentos", disse o general, sem mencionar que muitas pessoas que destruíram edifícios públicos em Brasília estavam nestes acampamentos.

Heleno Ribeiro foi ouvido na quinta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, estado da federação brasileira onde está localizada a capital do país, Brasília.

O ex-ministro foi convidado para comentar os atos de vandalismo em 12 de dezembro, em Brasília, e os atos golpistas de 08 de janeiro, quando apoiantes de Bolsonaro invadiram e vandalizaram as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, obrigando à intervenção policial para repor a ordem e suscitando a condenação da comunidade internacional.

A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira apoiantes do anterior presidente, derrotado por Lula da Silva nas eleições de outubro passado, terem convocado um protesto para a Esplanada dos Ministérios para tentar derrubar o novo Governo.

Leia Também: Juiz eleitoral viabiliza ação que pode tornar Bolsonaro inelegível

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