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População do Haiti mobiliza-se para perseguir alegados membros de gangues

Uma multidão matou dois supostos membros de gangues na cidade de Gros Morne, no Haiti, como parte de uma campanha popular que, segundo a imprensa, terá causado cerca de 100 mortos na última semana.

População do Haiti mobiliza-se para perseguir alegados membros de gangues
Notícias ao Minuto

03:50 - 30/04/23 por Lusa

Mundo Haiti

"Somos veneno para bandidos", gritam alguns homens em um dos vídeos que está a circular, onde os dois homens são linchados em Gros Morne, a 134 quilómetros da capital Porto Príncipe, no sábado.

Imagens de execução de suspeitos de crimes, que mostram, por exemplo, como grandes pedras, pedaços de madeira e ferro são atirados contra eles e como os corpos são cobertos por pneus em chamas, estão a circular na internet.

Nas redes sociais têm surgido apelos à perseguição de criminosos na capital do Haiti e em outras cidades, levando jovens armados com catanas, pedras ou facas e por vezes encapuzados, a sair às ruas à caça de membros de gangues, muitas vezes acompanhados pela polícia.

Nos últimos dias, o nome da campanha passou de "Operação Busca Bandidos" para "Bwa Kale" (em português, "pénis nu"), que foi o slogan usado no ano passado em protestos contra o governo do Haiti.

A polícia tem-se juntado à população no combate ao crime organizado, tendo-se multiplicado as operações policiais de despejo de alegado criminosos e as conferências de imprensa para apresentar números dessas ações.

De acordo com dados fornecidos esta semana pelas autoridades, vários suspeitos de crimes foram feridos mortalmente em tiroteios com a polícia e armas foram apreendidas.

A 24 de abril uma multidão em Porto Príncipe espancou e queimou 13 supostos membros de gangues até à morte, com recurso a pneus encharcados em gasolina, depois de retirarem esses homens da custódia da polícia, disseram agentes policiais .

A Polícia Nacional do Haiti disse, num comunicado, que agentes pararam e revistaram um miniautocarro em busca de contrabando e confiscaram armas dos suspeitos antes de estes "serem infelizmente linchados por membros da população".

Testemunhas no local disseram ainda que os suspeitos eram membros do gangue Kraze Barye ("Quebrando Barreiras", no dialeto local).

As autoridades dizem que o grupo é liderado por Vitel'Homme Innocent, acusado de ajudar a sequestrar 17 missionários norte-americanos em outubro de 2021 e que também está ligado ao assassínio do ex-presidente Jovenel Moïse.

A insegurança em Porto Príncipe é "comparável à de países em situação de conflito armado", com aumento significativo de homicídios e sequestros, alertou na semana passada a ONU, apelando ao envio de uma força internacional para o país.

"O povo haitiano continua a enfrentar uma das piores crises de direitos humanos em décadas e uma grande emergência humanitária", descreve o relatório do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Entre 01 de janeiro e 31 de março, o número de homicídios registados aumentou 21% no país em relação ao trimestre anterior (815 contra 673), e o número de sequestros 63% (637 contra 391).

Leia Também: ONU reforça apelos por força que trave escalada da violência no Haiti

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