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Governo polaco convoca embaixador dos EUA por ações de tv norte-americana

O Governo polaco convocou o embaixador dos Estados Unidos em Varsóvia para se pronunciar sobre as ações de um canal de televisão norte-americano, num caso que deve estar relacionado com o documentário sobre João Paulo II.

Governo polaco convoca embaixador dos EUA por ações de tv norte-americana
Notícias ao Minuto

23:43 - 09/03/23 por Lusa

Mundo João Paulo II

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros reconhece que os efeitos potenciais dessas atividades são idênticos aos objetivos da guerra híbrida, destinada a causar divisões e tensões na sociedade polaca", sublinhou este ministério em comunicado, citado pela agência Efe.

Embora a diplomacia polaca não mencione o nome da estação de televisão, na Polónia existe apenas uma estação privada pertencente a uma corporação norte-americana, a TVN Group, adquirida em 2018 pela Discovery, Inc, que em 2022 se fundiu com a Warner Bros.

Em 06 de março, o seu canal de notícias TVN24 transmitiu o documentário "Franciszkanska 3", com duração de uma hora e meia, descrevendo casos de abuso sexual cometidos por três padres nas décadas de 1960 e 1970.

No documentário, são analisados os casos de três padres que Karol Wojtila, então arcebispo de Cracóvia, transferiu entre vários locais na década de 1970 ao saber das acusações contra eles.

A reportagem atingiu uma figura altamente respeitada no país predominantemente católico e gerou uma reação mista, especialmente porque parte da documentação citada veio dos arquivos do serviço secreto de segurança da era comunista, que tentava comprometer a igreja.

Após a divulgação, o partido ultraconservador Lei e Justiça (PiS), no poder na Polónia, criticou o trabalho.

O chefe do Governo polaco, Mateusz Morawiecki, um católico, referiu na quarta-feira, numa declaração em vídeo divulgadas nas suas redes sociais, que a prova revelada contra o falecido sumo pontífice é "muito duvidosa".

Também afirmou que a questão foi levantada por círculos que querem travar uma "guerra cultural" contra os polacos e virar as suas vidas de cabeça para baixo.

O PiS anunciou ainda que vai apresentar uma resolução em "defesa do bom nome de São João Paulo II" no Parlamento polaco.

Morawiecki, cujo Governo de direita tem laços estreitos com a Igreja Católica da Polónia, enfatizou o papel do falecido papa na mudança democrática no seu país na década de 1980, que também inspirou outras nações soviéticas da Europa Central e Oriental.

"A lista dos méritos de João Paulo II para o mundo e para a Polónia é inesgotável", apontou Morawiecki.

No dia seguinte à divulgação da investigação, o gabinete do Episcopado polaco defendeu que é "impossível determinar com clareza" o caráter dos atos atribuídos a pelo menos um dos padres acusados, uma vez que as acusações são feitas com base em documentos disponibilizados pela polícia política do Governo comunista polaco da altura.

"Uma avaliação justa de Karol Wojtyla requereria mais investigação", de acordo com uma das afirmações que consta do comunicado.

O teor da investigação reavivou a polémica em torno da alegada responsabilidade de João Paulo II no encobrimento de casos de abusos sexuais a menores na Igreja polaca, e surge numa altura em que o tema tem sido alvo de atenção internacional, inclusive em Portugal.

Leia Também: Encobrimento de abusos? Primeiro-ministro polaco defende João Paulo II

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