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Partido alemão AfD celebra 10 anos de radicalização progressiva

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) assinalou hoje o 10.º aniversário desde a sua fundação, num percurso que tem sido marcado pelo abandono sucessivo dos seus membros e pela radicalização progressiva.

Partido alemão AfD celebra 10 anos de radicalização progressiva
Notícias ao Minuto

00:06 - 07/02/23 por Lusa

Mundo Extrema-direita

O mote do aniversário, celebrado em Königstein, no centro da Alemanha, foi "estamos prontos", enquanto centenas de manifestantes de organizações da sociedade civil protestavam à porta do centro de congressos.

"Não basta ser a voz da razão", sublinhou uma das líderes, Alice Weidel, no seu discurso, acrescentando que a AfD quer "estruturar" e "participar no governo", garantindo que este próximo passo é apenas uma questão de tempo.

"Somos a 'espinha atravessada' das forças instituídas e por mais que nos difamem e excluam, nós permaneceremos", assegurou, frisando que o que foi alcançado nos primeiros dez anos é "apenas o começo".

Alice Weidel esboçou ainda uma futura Alemanha com "fronteiras seguras", com moeda própria, construída sobre uma certa "identidade nacional" e que internacionalmente mantém relações amistosas com "todas as potências".

Desde a sua fundação, em 2013, a AfD tem tido sucesso particular no leste da Alemanha, onde nas regiões da Saxónia e da Turíngia foi o partido mais votado nas eleições federais de 2021, nas quais obteve 4,8 milhões de votos em todo o país, 10,3% do total dos votos.

Originalmente concebido como um partido eurocético, a crise dos refugiados de 2015 virou a AfD para a anti-imigração, enquanto mais tarde conseguiu capitalizar a rejeição das restrições pandémicas e agora as preocupações com as consequências da guerra na Ucrânia.

Ao longo deste processo, o abandono de figuras da ideologia conservadora mais moderada deu lugar a correntes que se aproximam ao neonazismo e teorias da conspiração e também se destacam pela proximidade com a Rússia.

Um dos exemplos é Björn Höcke, líder da fação conhecida como "The Wing" que, de acordo com as sondagens de intenção de voto, pode vencer as próximas eleições regionais na Turíngia, em 2024.

A aproximação do partido a determinados temas colocou-o sob observação da Agência para a Proteção da Constituição (os serviços secretos alemães para o interior) devido às suas tendências extremistas, enquanto as restantes forças parlamentares têm-se comprometido a manter o seu 'cordão sanitário'.

Entretanto, dos 18 fundadores do partido, apenas três são atualmente membros da AfD, segundo dados do canal público ZDF, e vários dirigentes abandonaram a formação, citando publicamente a rejeição da tendência cada vez mais radical.

Um dos casos foi o antigo porta-voz, Bernd Lucke, que deixou a AfD em 2015 devido à orientação cada vez mais "xenófoba" e "antiocidental" de um partido que surgiu como "liberal e aberto ao mundo".

Outra vítima das lutas internas pelo poder foi Frauke Petry, uma das lideres mais carismáticas e polémicas, que saiu em 2017 argumentando contradições irreconciliáveis dentro da formação.

O economista Jörg Meuthen, por sua vez, deixou a liderança da AfD no início de 2022 e afirmou que "o coração do partido bate hoje na extrema-direita", denunciando mesmo que existem fações "totalitárias".

No discurso de celebração dos 10 anos, outro dos líderes, Tino Chrupalla, criticou o eco mediático dado nos últimos dias aos que deixaram o partido, defendendo ainda que no início da AfD não era possível prever os desafios e as decisões que seria necessário serem tomadas.

"Damos voz a milhões de cidadãos que sem nós não teriam representação parlamentar e disso podemo-nos orgulhar", sustentou.

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